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Petróleo. Produção em alta, preços em queda

Em junho, a produção mundial de petróleo aumentou em 720 mil barris por dia. A Agência Internacional de Energia aponta o dedo à Nigéria e Líbia

Prosseguem as más notícias para os países produtores de petróleo. O preço não descola e esta quinta-feira o relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) aumentou a pressão ao registar que a produção mundial em junho aumentou 720 mil de barris por dia.

É o terceiro mês em que a produção aumenta. Nos mercados internacionais, o brent cai hoje ligeiramente (0,83%), para 47.33 dólares o barril. No universo dos 13 países da OPEP - Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a produção aumentou 340 mil barris por dia. Os preços, nota a AIE, caíram em junho mais de 3 dólares por barril.

O desempenho de junho confirma que o pacto dos países da OPE para congelarem a oferta não está a funcionar. Tal acordo "está paralisado", diz a AIE.

Líbia e Nigéria em causa

Nos membros da OPEP vinculados ao pacto, o rendimento máximo "ficou em 78% em junho, o valor mais baixo durante os primeiros seis meses do acordo", firmado em janeiro de 2017 e válido até março de 2018. Mas, a Líbia e a Nigéria, que não aderiram ao pacto, aumentaram fortemente a sua produção. A Arábia Saudita também aumentou a oferta.

Neil Atkinson, diretor da divisão de mercados da AIE nota que "o reequilíbrio entra a oferta e a procura está a acontecer", mas de uma forma "mais demorada" do que a generalidade da indústria "admitiria inicialmente".

A expansão da Líbia e Nigéria "foi inesperada" e surpreendeu os mercados. A OPEP não anteciparia um aumento de produção tão elevada. Se os dois países mantiverem os níveis de produção os outros membros da OPEP ficarão "frustrados por sentirem que os seus esforços de redução não se tornam eficazes", diz Neil Atkinson. A solução seria convencer Líbia e Nigéria a aderirem ao corte de produção.

No caso dos produtores exteriores à OPEP, como a Rússia, a agência diz que em junho o "cumprimento das restrições" melhorou, com uma taxa de exploração de 82%. Mas há dúvidas sobre a eficácia deste acordo da OPEP com os restantes fornecedores. Por exemplo, o
Cazaquistão já advertiu que poderá exceder as metas de produção definidas.

Em termos de procura, a AIE prevê em 2017 um aumento do consumo mundial de 1,4 milhões de barris por dia, uma revisão em alta (mais 100 mil barris) face à anterior estimativa.

No caso do gás, a AIE prevê a procura global de gás vai crescer a um ritmo anual de 1,6% até 2022. O crescimento da procura será sustentada pelos baixos preços, pela forte procura e pelos menores efeitos ambientais do gás face ao carvão.