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Memórias de Ricardo. Ex-banqueiro insiste na defesa da honra

Luis Barra

Em declarações à Bloomberg, Ricardo Salgado diz que está a lutar “pela honra de ser quem era” e culpa a inveja nacional pelo colapso do BES

Na audição parlamentar, em dezembro de 2014, Ricardo Salgado citou um provérbio chinês para dizer que “um leopardo quando morre, deixa a sua pele; um homem, quando morre, deixa a sua reputação.” O mote estava dado. No rescaldo do colapso do BES, A batalha de Salgado era defender a sua honra e da sua família.

Três anos depois de deixar a presidência do BES, Ricardo Salgado insiste no argumento da honra em declarações por email à Bloomberg. E, citando o livro de memórias que está a escrever, Salgado repete: “Estou a lutar pela honra de ser quem era e pela honra da minha família”. No seu livro, Salgado descarta responsabilidades pelo facto do BES ter sido alvo de uma medida de resolução.

O fator inveja

Ricardo Salgado conta que ocupa o tempo que a preparação da sua defesa judicial deixa livre a escrever as suas memórias, a ler e a conviver com a família. E admite à agência que a inveja pode ter sido, em parte, responsável pela queda do grupo familiar.

E acrescenta à Bloomberg: “Hoje não tenho dúvidas que a história que diz que eu dominei tudo foi criada com o objectivo de me atacarem.”

Lutar pela reposição da verdade

“Pedir desculpa teria sido a fórmula mais fácil de me libertar publicamente da responsabilidade. Acho que tenho a responsabilidade de lutar para que a verdade seja reposta”, acrescenta Salgado à Bloomberg.

A reposição da verdade e a denúncia de “falsidades, omissões e calúnias” contra a sua família fora outra das ideias que Salgado deixara na intervenção na comissão parlamentar.

Quem não subscreve esta visão é Ricardo Ângelo, que lidera a Associação “Os Indignados e Enganados do Papel Comercial” (AIEPC) do BES. Citado pela Bloomberg, este outro Ricardo diz que “todos eles deviam pedir desculpa: os clientes foram enganados”. E a “principal responsabilidade é de Ricardo Salgado”, acusa.

A 3 de Agosto que 2014 Banco de Portugal aprovou a resolução do BES, com a transferência de grande parte da operação para o então criado Novo Banco. Era fim de um banco cuja origem remontava a 1869 e que fora fundado em 1920.