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Construção. Novopca renasce, seis anos depois

A Novopca conta, finalmente com um plano de viabilização aprovado. Mas, as obras não abundam.

Este é um caso de resistência e de luta pela sobrevivência no sector da construção. A Novopca, seis anos depois de entrar no circuito judicial, conta finalmente, com um plano de viabilização aprovado, ganhando um segundo fôlego para evitar ao colapso, apesar do ambiente adverso em que a indústria se move.

A construtora vai conseguir sobreviver? "Claro que vai fazer todos os esforços para sobreviver e manter-se em atividade por muitos mais anos" responde ao Expresso uma fonte da administração da empresa, detida pela família Oliveira Maia. A Novopca celebra este ano o 70º aniversário. Brasil e Rússia constituem os principais fatores de esperança.

O que a Novopa sofreu para aqui chegar

Em 2010, a construtora encontrava-se no top 15 nacional, fechara o exercício com uma produção de 95 milhões de euros e perdas de 10,6 milhões. No ano seguinte, esmagada por uma dívida de 170 milhões (incluindo garantias de obras), sem crédito dos fornecedores e com salários em atraso entregou no tribunal de Famalicão um plano de insolvência, visando a recuperação.

Um ano depois, os credores optavam pela viabilização, rejeitando a alternativa da liquidação. O plano aprovado previa o perdão de 35% da dívida e o pagamento da restante num horizonte de 10 anos. E prometia acertar contas até 2013 com os 300 trabalhadores.

A solução estava na venda de ativos imobiliários. A recuperação passava por reduzir em Portugal e vingar nos mercados externos. BES, CGD, BPI. BCP e Parvalorem (72 milhões no total) figuravam como os principais credores numa lista de 550 lesados.

Mas, o plano revelou-se irrealista. Em 2013, era suposto a Novopca faturar 15 milhões - faturou zero. E devido à crise do imobiliário não conseguiu liquidar os créditos laborais. Ainda assim, a administração e o gestor judicial cerraram os dentes e não desistiram. Recorreram ao mecanismo PER - Processo Especial de Revitalização para sobreviver, acreditando, em especial, na recuperação nos mercados externos em que operava - Angola, Moçambique e Brasil.

Brasil e Rússia

O PER é aprovado, mas dois credores impugnam e o juiz decide-se pela não homologação. A Novopca recorre e dois anos depois ganha no Tribunal da Relação de Guimarães. Este mês, a decisão favorável é publicada no portal Citius.

Ao longo destes seis anos, a construtora manteve uma atividade residual e com esta decisão "deixa de estar no limbo judicial e ganha uma nova vida", reconhece fonte oficial da empresa.

Em Portugal, a Novopca diz quem tem realizado pequenas empreitadas e concluiu recentemente em Lisboa uma obra de um promotor privado. Nesta fase, não tem empreitadas. E, no mercado brasileiro, ao contrário de Angola e Moçambique, esteve sempre ativa.

Sobra ainda o mercado russo. Na década passada, a Novopca teve uma incursão imobiliária pouco feliz pela zona balnear de Sochi (acolheu os Jogos Olímpicos de Inverno de 2104), investindo, em parceria com um promotor local, em terrenos e projetos de caráter hoteleiro e residencial. É uma operação para 100 milhões de euros.

A operação causou danos nas contas, mas os ativos não foram alienados. O projeto em Sochi "está agora a ser desenvolvido em sintonia com o parceiro local e permitirá gerar liquidez", responde a empresa.