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Américo Amorim 1934-2017: 17 factos que talvez desconheça

Os oito filhos do casal Américo e Albertina Amorim

Reprodução: Rui Duarte Silva

Tinha 82 anos. Morreu esta quinta-feira

1. É o quinto dos oito filhos (quatro rapazes) do casal Américo e Albertina, todos nascidos em Mozelos (Lamas). Nasce a 21 de julho de 1934.

2. Com a morte dos pais em 1951 e 1953, ficou órfão antes de completar 19 anos. Os irmãos Amorim herdaram terrenos e 20% que o pai tinha na Amorim & Irmãos. Coube-lhe 2,5% da empresa.

3. Teve o primeiro par de sapatos quando terminou a escola primária, reservado para a missa dominical e ocasiões festivas.

4. Após o curso comercial de quatro anos na na Escola Académica (620 escudos por trimestre) ingressou, com 18 anos, na empresa da família. A geografia era a sua disciplina preferida e o globo terrestre o seu adereço preferido.

5. Aos 20 anos realiza a sua primeira grande viagem. O tio Henrique conduziu os irmãos Amorim pela Europa fora, até à Alemanha. Depois largou-os e disse-lhes: Desenrasquem-se. No ano anterior, Américo embarca no Sud Express rumo a Bordéus na sua estreia como vendedor com uma bagagem reduzido a amostra de rolhas e uma gravata. Ganhou o gosto pelas viagens e percorreu o mundo a contactar clientes da empresa da família.

6. Na década de 1950 alinhou, juntamente com os irmãos António e Joaquim, como defesa pela equipa local de Santa Maria de Lamas. Era vagamente simpatizante do FC Porto com que celebrara uma parceria imobiliária na altura da construção do no estádio, mas o futebol não o empolgava.

7. Comprou o primeiro carro (um Volkswagen usado) 10 anos depois de começar a trabalhar. À semana ia a pé para a fábrica ou utilizava a bicicleta. O carro novo, um Rover, chegou com o casamento.

8. Casou aos 35 anos com Maria Fernanda, filha de um médico e funcionária no Lloyds. Alugou por 1250 escudos ao mês uma pequena casa em Espinho. O casal teve três filhas, Paula, Luísa e Marta, herdeiras e sucessoras do conglomerado Amorim. Os maridos de Luísa e Marta tornaram-se gestores do grupo.

9. Realiza a sua primeira viagem à União Soviética em 1958 e reforça na década seguinte os negócios com os mercados da Europa de Leste.

10. Contornou a política restritiva de Salazar que impedia a construção de novas fábricas, comprando, em 1965, um alvará disponível no Algarve por 200 contos. E escolheu Silves para instalar a base de aglomerados negros.

11. O seu retrato permanece pendurado na sala da sede do BCP destinado aos principais acionistas, perpetuando seu papel de fundador do banco.

12. Quando foi lançada (1987) a Perestroika de Mickhail Gorbachev adquiriu mil livros que distribui por amigos e colaboradores com a dedicatória: "Um dia vamos acordar com uma grande Europa de Lisboa a Moscovo".

13. Aliou-se a uma cooperativa de jornalistas para a privatização do Jornal de Notícias nas desistiu da parceria ou por se desinteressar do sector ou pressionado pelo governo para deixar livre o caminho. O litígio com a cooperativa (que pedia meio milhão de contos) foi resolvido com 30 mil contos, entregues numa mala aos cooperantes por um representante de Américo durante um jantar no restaurante Gambamar.

14. O empresário terá sido aliciado pela KGB num hotel em Moscovo e um romeno, despedido em 1991 pelo grupo Amorim, acusá-lo-ia de ser agente dos serviços secretos soviéticos. Tal versão nunca foi confirmada. Numa das suas viagens ao Leste sofreu a humilhação de ter de se despir na fronteira para ser revistado.

15. Frugal no estômago, era incapaz de um desvio de 5 ou 10 km por razões de gastronomia e considerava que os portugueses desperdiçam tempo a comer e beber. Mas, apreciava uma boa lampreiada entre amigos e pratos típicos como cozido ou o bacalhau eram os seus preferidos. Nas férias, repartia-se pela praia do Forte, na Baía, praias do pacífico e nunca falhava uma semana na herdade do Peral.

16. Não conhecia pessoalmente Jardim Gonçalves quando, num almoço no grill do hotel Altis, em Lisboa, (1984) convidou o então presidente do BPA para liderar a equipa fundadora do BCP. Jardim hesitou muito antes de aceitar. Com a blindagem dos estatutos e a incapacidade para interferir no rumo do banco, o BCP tornou-se num projeto de muito investimento e pouco mando. Optou por sair, com fartos lucros, da estrutura acionista em 1996 do projeto empresarial que mais o emocionou. Confessou na altura, ser este "o seu maior falhanço empresarial".

17. Não gostava de escrever nem ler (O Príncipe, de Maquiavel era um dos livros preferidos) e lidava mal com tarefas simples do quotidiano como abrir portas ou atender telefones. O ténis o seu desporto preferido.