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Ministro da Economia: “O que encontramos em todo o mundo é um grande interesse em investir em Portugal”

O painel principal: Nicolau Santos, moderador; Luís Castro Henriques, presidente do AICEP; Niels Kowollik, CEO da Mercedes; Lingjang Xu, representante chefe da Fosum em Lisboa, José António Cortez, diretor executivo da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal

Tiago Miranda

Portugal está cada vez mais atractivo, mas os investidores ainda falam em falta de informação, demora na tomada de decisões e imprevisibilidade fiscal. Contudo, as vantagens do país têm prevalecido. Mas ainda é preciso promovê-lo mais

Portugal está cada vez mais interessante para os investidores estrangeiros, mas ainda há muito para mudar e o potencial é enorme. Esta é uma das conclusões do estudo que a consultora EY elaborou sobre atractividade de investimento em Portugal e com a qual o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, concorda em pleno.

“Mostra que o número de projetos está a subir e isso corresponde ao que se vê no terreno. Há, de facto, um maior interesse. Quando entrámos para o Governo ainda havia muitas perguntas sobre a situação do país, mas hoje perguntam-nos em que setores podemos investir, onde é que estão as oportunidades, quem é que podemos contactar", disse na conferência Expresso do Meio-Dia que decorreu hoje na Pousada de Lisboa e onde o estudo da EY foi apresentado. E acrescentou: “O que encontramos em todo o mundo é um grande interesse em investir em Portugal, de trabalhar com as empresas portuguesas, de encontrar em Portugal parceiros e é nisso em que estamos a trabalhar”.

Contudo, ainda há muito para fazer, tanto pelas entidades públicas como pelas privadas, e uma delas passa por promover ainda mais o que o país tem de bom. Porque o seu potencial ainda não está a ser usado na sua totalidade. “O facto de o país estar na moda, pelo menos do ponto de vista turístico, é positivo. As pessoas precisam de ver o nosso país. Estávamos habituados a levar comitivas lá fora para dar a conhecer o país, mas a AICEP tem de ter um papel mais proativo em trazer pessoas para conhecer o país e isso pode significar investimento. E não têm de ser grandes empresas, podem ser empreendedores”, sugeriu o director executivo da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, José António Cortez.

Sugestão com a qual o presidente do AICEP, Luís Castro Henriques concordou e disse mesmo estar a ser um trabalho já feito pela instituição que dirige. “O fundamental é trazer os investidores a Portugal e a AICEP tem organizado isso”, comentou, lembrando o esforço que foi feito para organizar a Web Summit, que decorreu em novembro de 2016 em Lisboa.

Além de promover mais as vantagens do país, os investidores entendem também que há processos e procedimentos que deviam ser alterados em Portugal.

“Este ano tivemos menos respostas positivas da parte dos investidores que ainda não estão cá, o que significa que a informação não está a chegar, mas partir do momento em que procuram informação ela flui e recebem, tudo bem. Ou seja, não é uma questão de falta de informação, mas sim de ela não estar a chegar tão facilmente aos investidores”, disse a responsável pelo estudo na EY, Florbela Lima, complementando que “os investidores receiam a imprevisibilidade fiscal que ainda existe no país”.

Já o CEO da Mercedes, Niels Kowollik, outro dos convidados no debate que se seguiu à apresentação das principais conclusões do estudo, comentou que gostava de ver algumas alterações à lei do trabalho. Contudo, garante que não foi por isso que a marca alemã deixou de abrir um centro técnico que, a partir de Portugal dá apoio a toda a Europa. Até porque Portugal tem muitas vantagens e, nos últimos anos, cada vez mais.

Aliás, essa crescente dinâmica agrada à chinesa Fosun, que desde 2013 investe em Portugal e tem já negócios na área da saúde, seguros e banca. “Há três anos Lisboa não tinha fila para apanhar táxi e agora tem e isso é importante e revelador”, referiu.