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Galp diz que fez tudo dentro da lei mas que está em vias de ser constituída arguida

Carlos Gomes da Silva, presidente-executivo da Galp

Pedro Patrício

“Entendendo o Ministério Público que, em termos processuais, a empresa deve ser constituída arguida, continuarão a ser prestados todos os esclarecimentos”, aponta a Galp em comunicado

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O Ministério Público pretende constituir como arguida a Galp Energia, no âmbito da investigação em curso sobre as viagens que a petrolífera pagou a vários governantes para assistirem ao Euro 2016, em França. A empresa ainda não foi formalmente constituída arguida, mas em comunicado admite essa possibilidade. “Entendendo o Ministério Público que, em termos processuais, a empresa deve ser constituída arguida, continuarão a ser prestados todos os esclarecimentos”, aponta a Galp.

A empresa garante que “tem mantido uma leal colaboração com as autoridades para o cabal esclarecimento dos factos, tendo sido ouvidos nos últimos meses, enquanto testemunhas, alguns dos seus colaboradores”.

A companhia, que mantém há vários anos um litígio com o fisco português por ser contra o pagamento da Contribuição Extraordinária sobre o Sector Energético (cerca de 35 milhões de euros por ano), reitera ser normal o convite a várias personalidades para eventos que patrocina.

“A Galp considera que o apoio prestado à Seleção Nacional no Euro 2016, da qual é um dos principais patrocinadores oficiais desde 1999, foi realizado em conformidade com a lei”, refere a Galp, notando que os convites para viajar com a sua comitiva “são práticas tradicionais seguidas por diversas empresas e não tiveram outro objetivo que não fosse o apoio à Seleção Nacional”.

“A presença em jogos da Seleção Nacional de pessoas relacionadas com parceiros de negócio, com entidades institucionais e com dezenas de clientes, corporativos e individuais, decorreu de forma aberta e pública, sem qualquer segredo ou tratamento diferenciado, e sem que tal pretendesse constituir a atribuição de uma qualquer vantagem patrimonial e muito menos da qual se esperasse a obtenção de qualquer contrapartida”, refere ainda a Galp.

Entre as personalidades que há um ano viajaram a França a convite da Galp estão os secretários de Estado da Indústria (João Vasconcelos), dos Assuntos Fiscais (Fernando Rocha Andrade) e da Internacionalização (Jorge Costa), que este domingo se demitiram.

Os três vão ser constituídos arguidos por suspeitas de crimes de recebimento indevido de vantagem, enquanto titulares de cargos públicos, cuja moldura penal aponta para um máximo de cinco anos de prisão ou até 600 dias de multa.