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Juros da dívida portuguesa acima de 3% em vésperas de novo leilão

Os juros a 10 anos fecharam a semana em 3,15%. IGCP realiza na próxima quarta-feira novo leilão desta linha obrigacionista. Vaga altista nos juros na zona euro após declarações de Draghi em Sintra no final de junho. Alemanha, Holanda e França com maiores subidas

Jorge Nascimento Rodrigues

Os juros (yields) das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência a 10 anos fecharam esta semana em 3,15% no mercado secundário, uma subida de 32 pontos base desde o mínimo do primeiro semestre a 14 de junho, quando a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) realizou um leilão daquela linha obrigacionista.

O IGCP anunciou esta sexta-feira dois leilões de obrigações para a próxima quarta-feira, 12 de junho, visando colocar entre 750 e 1000 milhões de euros no conjunto das duas operações simultâneas.

O Tesouro realiza novo leilão da OT que vence em 2027, e que serve de referência a 10 anos, tendo pago uma taxa de colocação de 2,851% a 14 de junho, o anterior leilão. O sinal atual dado pelo mercado secundário é que os investidores exigirão, agora, uma taxa mais alta.

Aquela entidade vai realizar, também, o primeiro leilão da linha de OT que vence em 2045, a de prazo mais longo na carteira da dívida portuguesa. A linha foi lançada através de uma operação sindicada em janeiro de 2015 e teve duas reaberturas, através de sindicações, em abril de 2015 e de 2016. Na última operação de sindicação no ano passado, o IGCP pagou uma yield de 4,235%.

A subida dos juros da OT a 10 anos é a mais pequena entre os periféricos da zona euro naquela maturidade de referência, excluindo a Grécia (que registou uma ligeira descida).

Apesar da subida, o prémio de risco da dívida portuguesa desceu de 268 para 258 pontos base entre 26 de junho e 7 de julho. Nos casos de Espanha e Itália, o prémio subiu naquele período. No entanto, o preço de segurar a dívida contra um risco de incumprimento subiu para os três países no mesmo período. No caso de Portugal, o preço dos credit default swaps aumentou de 193,44 para 200,11 pontos.

Draghi e atas do BCE alimentam vaga altista

O mercado da dívida soberana na zona euro está a ser marcado por uma vaga altista, despontada após a interpretação dada pelos analistas a frases de Mario Draghi no Fórum anual do Banco Central Europeu (BCE) em Sintra a 26 de junho e acelerada com uma revelação nas atas da última reunião do banco em junho, que foram divulgadas na semana que findou.

A perceção pelos mercados financeiros de uma próxima travagem no quantitative easing do BCE derivou do uso por Draghi do adjetivo “temporário” para classificar a dinâmica de inflação abaixo de 2% que ainda perdura na zona euro e a revelação nas atas de que a equipa de banqueiros centrais do euro discutiu em Tallinn a possibilidade do BCE deixar de mencionar na sua comunicação oficial a eventualidade de uma extensão temporal ou de um reforço mensal do programa de compra de ativos.

Este novo ‘sentimento’ entre os investidores fez disparar os juros dos títulos a 10 anos da Alemanha, Holanda e França, registando-se subidas acima de 50% desde 26 de junho. No caso das obrigações germânicas, que servem de referência na zona euro, os juros subiram 137,5%, mais do que duplicaram, passando de 0,24% a 26 de junho para 0,57% no fecho desta sexta-feira.

Grécia e Portugal mantêm retorno positivo

Fruto desta vaga altista, o retorno da dívida obrigacionista na zona euro, avaliado a partir da evolução do índice da Bloomberg desde o início do ano, baixou ligeiramente para Portugal e Grécia e afundou-se no vermelho para o conjunto da zona euro, para os restantes periféricos e para os emissores do centro. O retorno fechou a semana em 6,54% para Portugal e 16,39% para a Grécia, ligeiramente abaixo de 6,91% e 16,77% respetivamente no final de junho.

No caso da Alemanha, o retorno negativo agravou-se de -1,84% no final de junho para -2,49% no fecho de sexta-feira. Para o conjunto da zona euro, a rentabilidade negativa agravou-se de -0,73% para -1,56% no mesmo período. O retorno para a dívida espanhola passou a negativo e no caso da dívida italiana está perto de -2%.