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Errostat que até INErva

nuno botelho

Eurostat divulgou números para o desemprego em Portugal superiores aos do INE. Pouco tempo depois acabou por corrigi-los. Saiba tudo o que aconteceu neste descodificador

Porque é que os números do Eurostat divergiam dos do INE?

A 30 de junho o Instituto Nacional de Estatística (INE) publicou números sobre o mercado de trabalho, relativos a abril e maio. Três dias depois, o Eurostat divulgou as taxas de desemprego na União Europeia. Mas, ao contrário do que acontece sempre, os dados para Portugal eram diferentes — e superiores — aos do INE, acabando por ser corrigidos nesse dia. Explicação? O INE diz que se “verificou um erro na transmissão eletrónica de dados. Logo que alertado, o Eurostat corrigiu”. Já o Eurostat, em resposta ao Expresso, aponta o dedo ao INE: Os “números incorretos” foram divulgados “na sequência de um erro na transmissão dos dados por Portugal” e “foram corrigidos assim que o INE nos informou sobre o seu erro”.

Afinal, qual foi a taxa de desemprego em Portugal em abril e maio?

Numa nota enviada à comunicação social, o INE reiterou que os números que divulgou estavam corretos e que os do Eurostat iriam ser corrigidos, como aconteceu. Assim, a taxa de desemprego de abril, ajustada de sazonalidade, situou-se em 9,5%, o que compara com 9,8% em março e é o valor mais baixo observado em Portugal desde dezembro de 2008, quando estava nos 9,3%. Este número representa uma revisão em baixa de 0,3 pontos percentuais em relação à estimativa provisória para a taxa de desemprego de abril, que o INE tinha divulgado no final de maio. Quanto à taxa de desemprego em maio, a estimativa provisória do INE é de uma nova descida, para 9,4%.

O INE reviu em baixa a taxa relativa a abril. Porquê?

A estimativa que o INE tinha divulgado no final de maio para a taxa de desemprego de abril era provisória. A correção prende-se com a metodologia seguida pelo INE. As estimativas mensais para a taxa de desemprego são, de facto, referentes a trimestres móveis centrados, em que o mês de referência é o mês central de cada um desses trimestres. Assim, a taxa de desemprego para abril corresponde, na prática, à taxa de desemprego para o trimestre que vai de março a maio. Ora, quando o INE divulgou os números provisórios para essa taxa de abril, dispunha de informação completa do Inquérito ao Emprego em relação a março e abril, mas a informação para maio ainda era apenas parcial. Agora, com a informação completa, o INE reviu o número e divulgou a estimativa definitiva.

A que se deve a descida do desemprego no último ano?

Sobretudo à criação líquida de emprego. Entre maio de 2016 e maio de 2017, a população desempregada em Portugal diminuiu de 573,3 mil pessoas para 484,8 mil pessoas. A redução foi de 88,5 mil pessoas. Ao mesmo tempo, com a atividade económica a acelerar, sobretudo desde o quarto trimestre de 2016, a população empregada passou dos 4,5242 milhões de pessoas, para os 4,6589 milhões. O aumento foi de 134,7 mil pessoas. Um valor que ultrapassa a redução da população desempregada, sinalizando não apenas o ingresso de desempregados em postos de trabalho, como também o facto de provavelmente se ir buscar pessoas à inatividade ou à emigração para o emprego em Portugal.