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Bolsas. Ásia e Europa no vermelho, depois de queda em Nova Iorque

Recrudescimento das tensões geopolíticas, mau desempenho nas tecnológicas nos Estados Unidos e na Europa, dúvidas sobre a política monetária norte-americana marcam final da primeira semana de julho

Jorge Nascimento Rodrigues

A quase totalidade das principais bolsas da Ásia Pacífico fechou no vermelho esta sexta-feira, depois das bolsas mundiais terem registado perdas de mais de meio por cento na sessão anterior. Na Europa, a abertura pelas 8h (hora de Portugal) registou quedas nas três principais praças, de Frankfurt, Londres e Paris. Na Bolsa de Lisboa, o índice PSI 20 segue a trajetória negativa europeia.

Na Ásia, a maior queda no fecho desta sexta-feira registou-se na Bolsa de Sydney, com o índice ASX 200 a cair quase 1%. A mais importante bolsa asiática, Tóquio, encerrou com uma quebra de 0,27%. A exceção é a China, com Xangai a ganhar 0,17%. Em termos semanais, o maior recuo registou-se na bolsa de Hong Kong, com o índice Hang Seng a perder quase 1,5%.

Na Europa, a bolsa de Moscovo lidera as quedas esta sexta-feira.

Os mercados bolsistas ficaram marcados na quinta-feira pelo agravamento da tensão geopolítica na península coreana, pelo desapontamento dos investidores em Wall Street com o aumento pela terceira semana consecutiva dos pedidos de desemprego nos Estados Unidos, por novos sinais, dados pela ata da reunião de junho, de que o Banco Central Europeu (BCE) poderá tirar o pé do acelerador do programa de compra de ativos no próximo ano, e com as divisões dentro do comité de política monetária da Reserva Federal reveladas pelas atas da reunião de junho divulgadas esta semana.

Agitação no mercado da dívida pública

No mercado secundário da dívida soberana assiste-se nas últimas oito sessões a um movimento inverso de disparo dos juros (yields) dos títulos do Tesouro no prazo de referência, em particular alemães - que desde 26 de junho subiram quase 140% - e japoneses - que desde aquela data até ao fecho de quinta-feira duplicaram.

Em virtude da duplicação de 0,05% para 1% entre 26 de junho e 6 de julho nos juros dos títulos nipónicos a 10 anos, o Banco do Japão (BoJ) decidiu fazer esta sexta-feira uma oferta de compra ilimitada de títulos do Tesouro do país com maturidades entre 5 e 10 anos. Após o anuncio, os juros naquele prazo de referência caíram 12% durante a sessão de hoje depois de terem subido 14% no dia anterior. Um dos objetivos de política monetária do BoJ é, atualmente, manter as yields dos títulos a 10 anos próximas de 0%.

Recorde-se que 26 de junho foi a véspera do dia em que Mario Draghi agitou os mercados financeiros mundiais em virtude da interpretação que foi dada a algumas das suas frases proferidas no dia seguinte na abertura dos debates no Fórum anual do BCE em Sintra.

Aviso ao G20: não há um minuto a perder

Na preparação para a reunião dos líderes do G20, que se inicia esta sexta-feira em Hamburgo, na Alemanha, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou no blogue da organização que “não há um minuto a perder”.

Christine Lagarde regozijou-se com o clima de otimismo com a retoma que dura há um ano, levando o FMI a apontar para um crescimento mundial de 3,5% este ano e no próximo, mas sublinhou que é necessária “prudência” e ação para reforçar o crescimento mundial e criar estratégias para “economias inclusivas”, pois há inúmeros riscos, estruturais (desigualdades, crescimento fraco da produtividade, envelhecimento da poulação) e mais recentes no horizonte.

A projeção feita em abril pelo FMI apontava para um crescimento mundial de 3,65% em 2018, pelo que poderá haver uma revisão em baixa. Recorde-se que, recentemente, o Fundo cortou nas previsões para o crescimento dos EUA em 2017 (de 2,3% para 2,1%) e no ano seguinte (de 2,5% para 2,1%), após ter concluído uma análise à economia norte-americana ao abrigo do artigo IV.

Entre os riscos mais recentes que podem provocar agitação nos mercados financeiros, Lagarde apontou o sobreendividamento das empresas, a situação do sector bancário na zona euro, a insustentabilidade da dinâmica de dívida privada e pública na China, e os desequilíbrios nas contas externas de algumas importantes economias, com défices e excedentes externos excessivos.

Wall Street e tecnológicas em queda

O índice mundial MSCI caiu 0,56% na quinta-feira, empurrado sobretudo pela queda de 0,96% do índice para as bolsas de Nova Iorque, com destaque para a descida de quase 1% no S&P 500 e para o recuo de 1% no Nasdaq, o índice da bolsa das tecnológicas. As maiores quedas envolveram a Intel, Cisco, Apple e IBM, entre os pesos pesados da tecnologia.

Na Europa, o índice Eurostoxx 50 (para as cinquenta principais cotadas da zona euro) perdeu 0,54%, fechando no vermelho pela terceira sessão consecutiva. O índice Eurostoxx 600, mais abrangente, caiu 0,67%. As tecnológicas registaram, também, uma má sessão na Europa, com o índice de referência para as 600 tecnológicas cotadas a recuar 0,8%. Siemens e Nokia perderam mais de 1% na sessão de quinta-feira.