Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Bruxelas diz que situação em Portugal melhorou mas são necessárias “reformas ambiciosas”

Sexta missão pós-troika da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu deixa elogios mas alerta para os riscos de desvio significativo do défice estrutural e para o crédito malparado

A sexta missão a Portugal pós-programa de assistência, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu, conclui que a situação económica e financeira do país melhorou.

“Em comparação com a última missão, a situação económica e financeira de Portugal, a curto prazo, melhorou. A recuperação continuou a intensificar-se e foram realizados progressos importantes na resposta aos riscos a curto prazo. De um modo geral, o ajustamento económico de Portugal, assente também no programa de ajustamento macroeconómico, tem sido louvável. Para o futuro, o desafio consiste em manter esta dinâmica. A este respeito, são essenciais reformas ambiciosas”, afirmam as duas instituições em comunicado.

Não deixam, no entanto, de fazer alguns alertas: referem que “o ajustamento do défice estrutural subjacente está em risco de desvio significativo em relação aos requisitos do Pacto de Estabilidade e Crescimento” sendo, por isso, “importante implementar as medidas necessárias para garantir o ajustamento orçamental exigido em 2017, através da contenção no crescimento da despesa, e ao mesmo tempo garantindo que os ganhos provenientes da melhoria da conjuntura económica são utilizados para acelerar a redução do défice e da dívida”.

Outro alerta diz respeito à banca. Apesar de reconhecer que “a recuperação do sector bancário tem tido progressos positivos, mas ainda não se encontra concluída” e que “os bancos portugueses voltaram a desalavancar, reduziram custos e reforçaram o capital de base”, alerta que “o sector continua a ser sobrecarregado por baixos níveis de rendibilidade, amortecedores de capital limitados e ainda elevados, embora em decréscimo e rácios de crédito mal parado”. É preciso, dizem, resolver o problema do crédito malparado: “A missão insta as autoridades a avançar de forma decisiva com uma estratégia abrangente sobre esta matéria, estabelecendo um calendário ambicioso e com objetivos claros. Deve ser prestada especial atenção ao reforço do quadro jurídico e judiciário, com o objetivo de facilitar a reestruturação e a estabilização das empresas viáveis e a rápida saída das empresas não viáveis”.

Quanto ao mercado de trabalho, deixam alguns elogios, referindo que os avanços ficaram a dever-se às reformas feitas durante o programa de assistência. “Os recentes desenvolvimentos no mercado de trabalho continuam a ser positivos. Tal é evidenciado pela diminuição da taxa de desemprego e pelo aumento na criação de emprego e da mão-de-obra. Tal deve-se, entre outros, ao êxito das reformas aplicadas pelas autoridades portuguesas, há alguns anos”.