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Fitch atenta à dívida pública e à banca para subir ‘rating’ a Portugal

Uma das fraquezas, segundo a agência de notação, é um fraco crescimento do PIB potencial, o que reflete “o alto endividamento do sector privado, a fragilidade da banca, que prejudica o investimento”

A agência de notação financeira Fitch está atenta à elevada dívida pública portuguesa, às fraquezas da banca e ao desemprego, alertando para que, nestes aspetos, Portugal fica muito abaixo de outros países com 'rating' de investimento.

Em 16 de junho, a Fitch melhorou a perspetiva da dívida pública portuguesa de estável para positiva, mas manteve a nota em 'BB+' (lixo). Isto significa que, na próxima revisão, a agência de notação pode rever, positivamente, o 'rating' atribuído a Portugal, para uma nota do patamar 'BBB', o primeiro nível acima de ‘lixo’.

Numa nota aos investidores divulgada hoje, a agência norte-americana afirma que as "sensibilidades do ‘rating’" são a descida da dívida (o que "seria positivo" para o ‘rating’ atribuído, enquanto, em sentido contrário, falhar essa redução seria "negativo") e o apoio à banca (sendo que a ausência de novos "fatores de stress" seria positiva e que, em contraste, qualquer problema que envolva custos para a dívida pública seria negativo).

Entre as fraquezas apontadas pela Fitch a Portugal está a elevada dívida pública, de 130,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no final de 2016, "bem acima da mediana dos países com notação 'BB'", o último patamar do lixo, que é de 52%, mas também da média da zona euro, que é de uma dívida pública de 90% do PIB.

Outra das fraquezas é, segundo a agência, um crescimento do PIB potencial inferior dos seus pares, o que reflete "o alto endividamento do sector privado, a fragilidade da banca, que prejudica o investimento", e o envelhecimento da população.

Também o desemprego se mantém "bem acima da mediana dos países com notação 'BB'", embora tenha caído desde 2013, impulsionado pelo aumento do emprego no sector dos serviços.

Por outro lado, os pontos fortes para a Fitch são o desenvolvimento humano, os indicadores de governança e de rendimento ‘per capita’, que "estão todos acima dos pares com ‘ratings’ 'BB' e 'BBB' [o primeiro patamar de investimento], o que sublinha a força das instituições do país".

Além disso, a agência de notação financeira destaca as reformas estruturais (para a liberalização do mercado de trabalho) durante o programa de ajustamento, considerando que a facilidade em fazer negócios em Portugal tem pontuações também superiores às medianas dos países com notas 'BB' e 'BBB'.