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Dicas de poupança: tem a certeza de que o seu “spread” não aumentou sem você saber?

Foto José Carlos Carvalho

O "spread" do seu empréstimo pode ter aumentado sem você ter dado por isso. E isso pode acontecer por algum erro do banco ou por um descuido seu

Pedro Andersson

Fui contactado por um espectador do “Contas-poupança” (quartas-feiras, Jornal da Noite, SIC) e leitor do blogue, que foi surpreendido por uma carta do banco a aumentar o spread, porque um dos serviços que ele tinha subscrito tinha sido extinguido. Neste caso específico, tratava-se da domiciliação de ordenado.

O cliente ficou estupefacto, porque não tinha mudado de empresa, não tinha sido despedido nem tinha havido qualquer alteração no recebimento do ordenado naquela conta. Foi ao banco, onde verificaram que foi um erro. Pediram desculpa e corrigiram a situação, voltando o cliente a ter o spread contratado (bem mais baixo).

“Tive a sorte de ser eu a receber a carta da CGD e a ler. A minha esposa tem por regra guardar as cartas sem as ler, pois costumam ser “simplesmente” a comunicação do pagamento da prestação. Quantos podem ter guardado logo a carta sem prestar grande atenção e têm neste momento os seus spreads aumentados sem saberem?”

Neste caso, contactei o banco em causa. Explicaram-me que o banco da empresa onde o senhor trabalha enganou-se num determinado dígito e o dinheiro entrou nas contas dos funcionários sem o código (que só interessa aos bancos) que dá a indicação de que se trata de um ordenado. Logo, como o sistema informático do banco não identificou qualquer entrada de ordenado, aumentou-lhe automaticamente o spread. As máquinas não fazem perguntas.

Esta situação, embora rara, pode acontecer com qualquer um de nós - e já aconteceu a muitos clientes de crédito à habitação. Temos de estar atentos não só às cartas dos bancos, e ver regularmente qual é o spread que está a ser cobrado, como fazer isso por iniciativa própria, indo ao homebanking ou ligando para o apoio ao cliente do nosso banco, seja ele qual for.

No caso citado, o erro foi da empresa onde o senhor trabalhava. Mas há outras situações em que os “culpados” somos nós. Como o que descrevo a seguir.

Nesta situação, o cliente tem 0,3% de spread, porque aderiu (isto está no chamado Documento Complementar, que deve ter agrafado à escritura da sua casa) a um cartão de débito, a um seguro de vida, ao seguro multirriscos, à domiciliação de rendimentos, a um cartão de crédito, ao homebanking e à domiciliação de pagamentos. Se o cliente extinguir um destes produtos, o spread aumenta logo para 1,8%.

E aqui está então o alerta: por distração, é muito fácil achar que a anuidade do cartão de crédito está muito elevada (há quem pague 70 euros por ano) e decida acabar com ele. Aumentam-lhe logo o spread e, se não estiver atento às cartas do banco, nem dá por nada. O mesmo se mudar de contrato de água, luz ou gás e mudar também o NIB para outro banco por lhe dar mais jeito.

Olhe que isto não acontece só aos outros. Conheço vários casos. Num deles, a pessoa em causa, numa altura de crise acabou com o cartão de crédito, para poupar a respetiva anuidade. Aumentaram-lhe o spread imediatamente. Só deu por isso muito tempo depois. Se verificar a situação daqui a 6 ou 8 meses, não lhe devolvem o dinheiro, porque só volta ao spread original quando corrigir a situação, se ela tiver sido causada por si.

Estamos a falar de várias dezenas de euros por mês. Ao fim de um ano pode perder muito dinheiro. Sem necessidade.