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Qual é o perfil de quem compra casa?

Tiago Miranda

O Compara Já recebeu 6000 simulações de crédito em apenas três meses e traçou o perfil dos candidatos

O Compara Já, simulador de crédito à habitação que permite ver as melhores opções de financiamento para a compra de casa, recebeu em três meses, desde o seu arranque, cerca de 6000 simulações, uma média de 67 pessoas por dia. Um fluxo de interessados que atesta bem os recordes que andam a ser batidos pelas instituições de crédito, com valores de concessão neste momento comparáveis ao período pré-troika, em 2010, quando as médias atingiam valores próximos dos €800 milhões mensais.

No motor de busca do Compara Já, o perfil-tipo dos potenciais compradores assenta nos homens (67% versus 33% de mulheres), entre os 31 e os 35 anos, trabalhadores efetivos, que procuram um valor de financiamento entre €75 mil e €120 mil, com um prazo de reembolso de 30 a 40 anos, situando-se o loan to value (a relação entre o montante do empréstimo e o valor da avaliação) entre 70% a 80%. Apenas 9% pede mais do que €200 mil e apenas 6% é empresário em nome individual/recibo verde.

Entre os 6000 candidatos a obter crédito, a grande maioria (cerca de 73%) estava interessada num valor entre os €35 mil e os €150 mil. “Apenas 27% dos casos são acima dos €150 mil. A grande maioria procura casa nos arredores de Lisboa e do Porto ou em zonas rurais onde a aquisição é muito mais em conta”, explica Sérgio Pereira, diretor-geral do Compara Já.

A compra de habitação é feita, geralmente, pelo casal, mas a iniciativa de pesquisa e gestão burocrática do processo fica a cargo do homem, ainda que, como diz Sérgio Pereira, “é raro estes tomarem uma decisão antes de falarem com as mulheres”.

A TAE é que interessa, 
não o spread

Outra conclusão a que o Compara Já chegou nesta primeira avaliação feita aos resultados apurados no simulador é que há cada vez mais pessoas a pedir financiamento para construção nova ou para reabilitação. “São pessoas que já têm terreno próprio ou que herdaram uma casa e que querem reabilitá-la. A esmagadora maioria é para primeira habitação.”

Lançado em março deste ano como o primeiro comparador gratuito de crédito à habitação do mercado português, o Compara Já permite aceder às ofertas de todas as instituições bancárias de acordo com o perfil, prazo e valor de empréstimo pretendidos por cada utilizador.

Para se encontrar o produto mais vantajoso, é necessário completar um conjunto de filtros, entre os quais constam o valor da habitação que se pretende adquirir, a situação profissional ou as instituições das quais já se é cliente.

Para manter a imparcialidade, a empresa não recebe financiamentos diretos das instituições bancárias e analisa todo o mercado nas simulações que são feitas. “A empresa financia-se através das comissões que vai recebendo dos clientes que canaliza para os bancos respetivos consoante os resultados da simulação, como acontece com os comparadores deste género”, explica o responsável da empresa.

“Quem procura o simulador quer perceber se tem capacidade para comprar casa. Através desta ferramenta, o que queremos mostrar é o que existe no mercado e quais os custos e comissões que cada banco incorpora nos seus produtos.” Um abrir de horizontes de literacia financeira, até porque a grande maioria, diz Sérgio Pereira, apenas está atenta ao spread.

“É muito pertinente mostrar às pessoas que o spread é apenas uma componente, aquela que os bancos mais publicitam. Mas é preciso olhar também para os indexantes, se é a 3, 6 ou 12 meses, ter em atenção se o banco aceita indexantes negativos, porque há bancos que não estão a aceitar, e quando o indexante passa a negativo o banco passa o indexante a zero”, justifica o responsável. Mas não só. Tudo conta, como os custos de comissão iniciais e as comissões de processamento anual, além das prestações mensais. “E tudo isso não está incluído no spread, mas sim na Taxa Anual Efetiva, este sim, o valor que deve servir de referência a quem quer pedir financiamento.”

Neste momento, diz Sérgio Pereira, os bancos dificilmente estão a aceitar quem tem uma taxa de esforço acima dos 40% (valor total das prestações/rendimento médio mensal x 100). “Mas se tiver uma taxa de esforço abaixo dos 40% e um loan to value abaixo dos 80%, em princípio, o financiamento é aprovado”, explica ainda o responsável.