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Empresas apostam em edifícios próprios

José Caria

Arrendamento ainda domina mas há mais vendas de ativos para sedes

No primeiro trimestre deste ano voltaram a ser transacionados edifícios para instalação de sedes de empresas na região de Lisboa. Segundo um estudo da consultora Worx, foram vendidos para ocupação própria cinco espaços de escritórios.

Um dado ainda tímido mas que revela, como diz Pedro Salema Garção, diretor da Worx, “um aumento generalizado da confiança das empresas e uma maior disponibilidade financeira, que podem constituir motores para um reavivar do mercado de venda”.

Atualmente, o mercado de escritórios da capital continua dominado quase a 90% pelo regime de arrendamento. Mas, diz o estudo, “apesar dos volumes de Área Bruta Locável (ABL) arrendada e ABL comprada diretamente pelo ocupante final não serem de todo comparáveis, facilmente se consegue observar que no período pré-crise (anos 2008-2009), a opção de compra assumia mais peso nas decisões de ocupação das empresas”.

De acordo com os dados do departamento de Pesquisa e Consultoria, no ano de 2008 foram registadas 28 operações de venda e em 2014 apenas uma. E agora, em 2017, regressaram novamente as transações.

“Este comportamento foi motivado pelo cenário que se viveu no culminar da crise económica, em que assistimos a uma queda acentuada no sector imobiliário, com o ano 2013 (77.000 m2) a registar o pior ano de sempre em termos de take-up (arrendamento)”.

Atualmente o mercado vive tempos diferentes, com a procura das empresas a exceder a oferta de espaços. A vontade de estar no centro da capital, junto a acessos rápidos como o metro, é cada vez mais uma prioridade, indo ao encontro do público-alvo que pretendem atingir, os mais jovens, que nem sempre possuem viatura própria.

Os proprietários dos edifícios acabam por isso e cada vez mais por ter uma posição dominante na hora de negociação, suprimindo períodos de carência de renda e outras estratégias que perduraram durante o período da crise.

“Antigamente havia grandes margens de negociação e estavam do lado do inquilino. Hoje já não, são os proprietários que têm o poder negocial”, confirma Pedro Salema Garção.

Outro fenómeno recente tem a ver com os pré-contratos de arrendamento. “Como está a acontecer com vários projetos de escritórios em desenvolvimento no Porto, de média e grande dimensão, onde os promotores estão a assegurar os pré-contratos de arrendamento ainda na fase de construção”, remata ainda o responsável.