Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Incêndios: Aldeias do xisto com plano para voltar a atrair turismo

Criar zonas de 'floresta segura' à volta das aldeias, avançar com um plano de promoção em Portugal e no exterior e reforçar o calendário de eventos são iniciativas na mira da Adxtur. Para já, o apelo vai no sentido das pessoas não cancelarem as reservas nestas aldeias

A reflorestação é a grande tónica do novo plano da Adxtur, agência que coordena a rede das aldeias do xisto, e que integra medidas a curto e médio prazo com vista a regenerar as povoações recentemente atingidas pelos incêndios em Pedrógão e Figueiró dos Vinhos.

Criar uma zona de proteção à volta das aldeias, com base em vegetação e floresta nativa, é uma das linhas estratégicas do plano da Adxtur. O mesmo objetivo já está a mobilizar moradores de aldeias como Ferraria de São João ou Casal de São Simão a arrancar eucaliptos e acácias nas suas proximidades na intenção de os substituír por sobreiros ou outras espécies mais endógenas, e por isso com maior resistência natural ao fogo.

Como medidas "de curto prazo", e a avançar no espaço de três meses, a Adxtur propõe-se dinamizar nas aldeias uma série de iniciativas de animação, como os Encontros do Jazz ou os eventos Xisto Weeks, a par de medidas de apoio direto à operação turística, associadas por exemplo a seguros específicos e políticas de cancelamento, além de promover 'fam trips' e visitas de jornalistas, nacionais ou estrangeiros, para promoção do destino.

Campeonato internacional de pesca de achigã continua de pé

No espaço de um ano, a meta passa por ter campanhas de promoção do destino junto do público e dos operadores turísticos, em Portugal e também no exterior. Numa outra frente, a Adxtur prepara ainda uma ação de homenagem às vítimas dos incêndios.

Um dos eventos que continua de pé nas aldeias do xisto é a Competição Internacional de Pesca Embarcada, o Achigã Challenge, que decorre de maio a outubro - e que a 23 de julho terá lugar em Pedrógão Grande, a 5 de agosto na Foz de Alge em Figueiró dos Vinhos, a 23 de setembro em Fernandaires em Vila de Rei e a 28 de outubro em Trízio na Sertã.

O plano de ação da Adxtur foi elaborado na sequência de uma reunião em Figueiró dos Vinhos a 29 de junho, em que também participaram o Turismo de Portugal, o Turismo do Centro, destinada a fazer um levantamento da situação e a avançar com um conjunto de medidas para relançar estas regiões afetadas pelo fogo, cujo principal produto turístico são as aldeias do xisto e as praias fluviais.

Para já, os apelos que estão a ser feitos na região, em particular pelo Turismo do Centro, vão no sentido das pessoas não cancelarem as reservas que já tinham nestas aldeias de forma a serem solidárias com este destino e as suas populações, apesar da paisagem ter sido ferida pelo fogo.

"A floresta sempre foi a nossa casa", diz o manifesto Adxtur

Num manifesto hoje divulgado pela rede das aldeias do xisto, é enfatizado que "rejeitamos ser confundidos com os momentâneos imediatismos que nos remetem ao negro esquecimento".

"A floresta sempre foi a nossa casa", sublinha ainda o manifesto assinado por Paulo Fernandes, presidente da Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto (Adxtur) e também presidente da câmara do Fundão.

"Exigimos responsabilidade a todos para uma ação integrada e focada na relação comunidade, turismo e floresta, em cada aldeia, em cada lugar", frisa ainda o manifesto da Adxtur, pondo o foco num "desenvolvimento turístico centrado na qualidade de vida" e numa melhor "segurança e resposta perante os principais fatores de risco.", a bem destes territórios e das "comunidades do Pinhal Interior".

Segundo Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, a reunião de quinta-feira em Figueiró dos Vinhos vai resultar na criação de um grupo de trabalho e um conjunto de iniciativas destinadas a "divulgar mais a região centro nos mercados internacionais".

Frisando que "nenhum equipamento turístico foi afetado pelos incêndios", Luís Araújo salienta que, apesar da dimensão dos incêndios, "há muitas regiões que não foram afetadas, há muitos percursos e passeios que se podem fazer, e a parte cultural e das aldeias do xisto está intacta. Esta é a época alta para a região Centro e é importante passar esta mensagem".