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FMI revê crescimento português para 2,5% e diz que défice será atingido “confortavelmente”

Christine Lagarde, diretora do Fundo Monetário Internacional

Getty

Fundo aponta para taxas de crescimento de 2,5% este ano e 2% no próximo ano. Uma revisão em alta considerável. E diz que défice de 1,5% está bem ao alcance do governo

Jorge Nascimento Rodrigues

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em alta a previsão de crescimento português para 2,5% este ano e para 2% em 2018. De acordo com o comunicado divulgado hoje no final da missão ao abrigo do artigo IV que decorreu entre 19 e 29 de junho, o Fundo sublinha que a perspetiva de curto prazo da economia portuguesa "melhorou consideravelmente” e foi por isso que reviu as projeções de 1,7% para 2,5% em 2017 e de 1,45% para 2% em 2018. O FMI considera, ainda, que Portugal realizou “um progresso louvável” ao lidar com os riscos de curto prazo.

A missão do Fundo considera ainda que a meta de défice orçamental de 1,5% do PIB é alcançável, graças à atual dinâmica de crescimento económico e “ao forte empenho” do governo para conter a despesa pública. Diz mesmo que a meta pode ser atingida "confortavelmente". Foi este empenho que permitiu a saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo, sublinha o relatório. O FMI corrigiu assim as previsões de défice de 2,1% para 1,5% em 2017, e de 1,84% para 1,4% no ano seguinte. O saldo orçamental primário (sem juros) foi revisto em alta, de 2,08% para 2,6% este ano e de 1,8% para 2,7% no próximo.

Também as previsões para a dívida pública foram revistas em baixa. No documento publicado esta sexta-feira, o FMI aponta, agora, para um rácio da dívida no PIB de 125,8% em 2017, quase 3 pontos percentuais abaixo da estimativa anterior, e de 122,6% em 2018, um corte de mais de 4 pontos percentuais.

A melhoria do quadro macroeconómico deveu-se a um forte crescimento do turismo – que regista um quarto ano de crescimento em quase dois dígitos – e da construção a ele associado, sublinha o relatório.

No entanto, subsistem problemas graves no médio prazo. Apesar do esforço para lidar com a situação no sector bancário, persiste um nível elevado de crédito malparado e de sobreendividamento do sector privado empresarial. E continuam a ser necessárias reformas estruturais para melhorar a produtividade, nomeadamente tornar ainda "mais flexível o mercado de trabalho".