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Transição para as energias limpas não é uma moda, já é uma realidade

Peter Mather, vice-presidente regional da BP

Nuno Botelho

As principais conclusões do BP Statistical Review of World Energy 2017, apresentadas esta terça-feira, revelam que o mundo da energia está em grande mudança

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Consumo e produção de carvão a cair, energias renováveis a crescer, emissões de CO2 estagnadas, preços do petróleo baixos. Parece ficção mas é a realidade e ela foi ainda mais evidente em 2016.

“Se me dissessem há dois anos, ou mesmo há 18 meses, que os EUA iam abandonar o acordo climático eu não acreditaria, mas aconteceu. E mesmo aqui na Europa, em 2016, pela primeira vez em 100 anos, tivemos no Reino Unido um dia inteiro em que não usámos carvão e outro dia em que 50% veio das renováveis, principalmente eólicas que são uma tecnologia muito mais usada em Portugal. Quem poderia prever isto?”, disse o vice-presidente regional da BP, Peter Mather durante a conferência de apresentação do BP Statistical Review of World Energy 2017, que decorreu esta terça-feira em Oeiras.

Para Peter Mather, durante muitos anos falou-se de grandes transformações na energia e parecia que nada acontecia, mas agora é mesmo a sério. “A descarbonização não é uma moda é uma realidade. O acordo de Paris aconteceu e há um reconhecimento geral de que é preciso atuar. Já não estamos a brincar”, salientou.

O estudo da BP apresentado no Lagoas Park Hotel mostra bem essa realidade. O consumo de carvão desceu pelo segundo ano consecutivo; a produção de carvão baixou para níveis de 2004; as emissões de CO2 cresceram apenas 0,1%, o mesmo que no ano anterior; o consumo de energia primária subiu apenas 1%, fruto de uma maior eficiência; as renováveis foram a fonte de energia com o maior aumento; a China tornou-se no maior produtor de renováveis, superando os EUA; o consumo e a produção de gás natural para a geração elétrica cresceu; os preços do petróleo continuaram a cair, originando um aumento do consumo, o primeiro após 15 anos consecutivos a cair.

Mesmo assim, garante o economista-chefe de Energia da BP, Paul Appleby, “ainda temos um longo caminho pela frente para chegar a Paris [ao acordo]”.

“A transição energética é algo inquestionável, mas o ritmo a que vai acontecer é que não se sabe”, disse, por sua vez, o secretário-geral da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (APETRO), também presente no debate, moderado pelo diretor do Expresso, Pedro Santos Guerreiro.

“Os mercados energéticos estão numa fase de mudança não definida”, referiu também o secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, que encerrou a conferência. Mas, de qualquer modo, país está no bom caminho, mencionou. “Portugal desempenha um papel muito importante nas energias limpas”, referiu, adiantando que agora é preciso apostar noutras energias limpas além das eólicas, como o solar ou a biomassa, e que é preciso insistir na criação de interligações entre Portugal e Espanha e França para escoar a eletricidade que é produzida a mais em Portugal.

Aliás, o ex-ministro da Indústria e da Energia, Luís Mira Amaral, que também esteve presente na conferência, é da opinião que o país tem um excesso de eólicas e que agora é o tempo de começar a investir noutras tecnologias.