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Mira Amaral diz que "a biomassa tem sido o parente pobre da política energética"

O antigo ministro da Indústria e Energia Luís Mira Amaral, considera que as centrais de biomassa, que utilizam resíduos florestais, "não são a solução, mas um grande contributo que pode ser dado para a limpeza das florestas"

O antigo ministro da Indústria e Energia Luís Mira Amaral afirmou hoje que a biomassa tem sido "o parente pobre da política energética renovável portuguesa", realçando que seria uma aposta muito importante para prevenção de fogos.

"A biomassa tem sido o parente pobre da política energética renovável portuguesa, quando a biomassa é um recurso renovável, com a vantagem de não ser intermitente como a solar e a eólica", declarou Mira Amaral, à margem da sessão de apresentação do BP Statistical Review of World Energy 2017, que decorreu em Oeiras.

Em declarações aos jornalistas, Mira Amaral considerou que as centrais de biomassa, que utilizam resíduos florestais, "não são a solução, mas um grande contributo que pode ser dado para a limpeza das florestas", realçando que "é muito importante para fazer medicina preventiva para os fogos".

"Infelizmente tem sido uma componente esquecida da política energética", acrescentou, depois do presidente da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro), António Comprido, ter deixado a sugestão de reforçar o investimento em centrais de biomassa, realçando as vantagens para a prevenção de incêndios.

António Comprido questionou se não valeria a pena apoiar a produção de energia a partir da biomassa, uma vez que teria vantagens em termos florestais: "Se contabilizarmos tudo, talvez as contas possam ser feitas de outra maneira. Talvez estejamos a cometer um erro estratégico".

Questionado sobre a aposta em centrais de biomassa, o secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, lembrou que entrou em vigor "há três semanas" um regime "mais ágil" para a instalação pelos municípios de centrais de valorização de biomassa, que usem matéria orgânica para produzir energia, com medidas de incentivo à instalação como medida de defesa e preservação da floresta, de ordenação do território e de combate aos incêndios.

A criação de centrais de biomassa, atribuindo aos municípios potências disponíveis para produzir energia a partir de biomassa florestal residual, com preços apoiados, foi aprovada pelo Governo, em Conselho de Ministros, em 21 de março, e está em vigor desde 13 de junho.

Segundo o regime extraordinário, a localização e a potência das centrais terá em conta a proximidade com zonas críticas de incêndio ou com povoamentos florestais e a proximidade em relação a outras centrais de biomassa florestal ou outras indústrias do setor florestal, consumidoras de biomassa florestal.

Outros dos fatores de peso na escolha da localização das centrais é a possibilidade de implantar, preferencialmente, em zonas ou parques industriais, áreas de localização empresarial ou outras zonas que permitam ou propiciem, complementarmente, o aproveitamento da energia térmica.

Em 2006 foram lançados procedimentos de concurso público para construir e explorar centrais de biomassa florestal residual, mas a iniciativa privada deixou por instalar 50% da potência de injeção então colocada a concurso e que agora o Governo quer atribuir.

A concreta potência de injeção a atribuir a cada central tem de ser solicitada à Direção-Geral de Energia e Geologia, dentro dos limites máximos definidos.

Os incêndios que deflagraram há uma semana, na região Centro, provocaram 64 mortos e mais de 200 feridos, e obrigaram à evacuação de dezenas de aldeias.

Mais de dois mil operacionais estiveram envolvidos no combate às chamas, que consumiram 53 mil hectares de floresta, o equivalente a cerca de 75 mil campos de futebol.