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Juros da dívida regressam a 3%

Os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos fecharam esta terça-feira em 3,07% no mercado secundário. Desde início de junho que não ultrapassavam a barreira dos 3%. O movimento de subida abrangeu toda a zona euro

Jorge Nascimento Rodrigues

Os juros (yields) das Obrigações do Tesouro português no prazo de referência, a 10 anos, galgaram esta terça-feira o limiar dos 3% no mercado secundário, o que já não se registava desde início do mês. Fecharam em 3,07%, uma subida de 16 pontos base em relação ao fecho da semana passada e claramente acima da taxa de colocação de 2,851% paga pelo Tesouro no leilão daquela linha de OT a 14 de junho.

O movimento de subida dos juros das obrigações no mercado secundário abrangeu esta terça-feira toda a zona euro. Os maiores aumentos em relação ao fecho da semana passada, naquele prazo a 10 anos, registaram-se com os títulos irlandeses (mais 24 pontos base), portugueses, franceses e italianos (mais 12 pontos base em cada um). No caso das obrigações italianas no prazo de referência, as yields regressaram ao patamar dos 2%, o que já não se registava há 12 sessões.

Apesar de Mario Draghi ter afirmado esta terça-feira que o ajustamento da política monetária expansionista do Banco Central Europeu (BCE) quando se justificar será "gradual", a contextualização que fez do atual nível baixo de inflação como gerado por "fatores transitórios" provocou de imediato "uma vaga de vendas de instrumentos de dívida pública na Europa", sublinhou o analista Marc Chandler, de Nova Iorque. Estes comentários sobre a natureza temporária do que está a alimentar o processo de desinflação reanimaram a especulação de que o BCE procederá, mais cedo do que se pensa, a uma discussão sobre a descontinuação do programa de aquisição de ativos, incluindo a compra de dívida pública no mercado secundário, uma medida que é crítica para os emissores mais vulneráveis na zona euro.

As declarações do presidente do BCE abriram o primeiro dia de debates no quarto Fórum anual que o banco organiza em Sintra, e que alguns analistas já consideram o "Jackson Hole" europeu. Desde 1981, a Reserva Federal norte-americana organiza anualmente no verão em Jackson Hole, no estado de Wyoming, um simpósio de banqueiros centrais que se tornou referência nas discussões internacionais sobre política monetária.

  • Draghi: “Temos que ser persistentes na nossa política monetária”

    O presidente do Banco Central Europeu assegurou esta terça-feira em Sintra, onde decorre o fórum anual da instituição, que a economia está a recuperar mas que não é tempo ainda travar as medidas de política monetária. É necessário mantê-las para a “dinâmica da inflação se tornar duradoura e auto-sustentada”