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Economista-chefe do Google diz que “a concorrência hoje é concorrência pelo talento”

Hal Varian, um dos microeconomistas mais conhecidos do planeta, participou hoje no Fórum do BCE em Sintra no dia em que o gigante teve uma multa recorde de Bruxelas. O tema esteve praticamente ausente do debate onde se falou de novas tecnologias e inovação. Concorrência, só pelos melhores profissionais.

O anúncio da Comissão Europeia sobre a multa de €2,4 mil milhões aplicada ao Google por abuso de posição dominante tinha sido duas horas antes, mas o tema não mereceu qualquer comentário especial do economista-chefe do gigante norte-americano, Hal Varian. Justiça lhe seja feita, também ninguém o confrontou diretamente com a questão. Os membros do painel sobre inovação, investimento e produtividade em que participou, membro do Conselho do Banco Central Europeu (BCE) Peter Praet, não o fizeram e apenas um elemento da assistência lhe colocou uma questão indireta sobre o tema. Mais concretamente, se achava que esta multa seria uma forma de reação à discussão sobre a tributação destes tipos de empresas que estão em vários países e optam por localizar empresas – e lucros – em territórios com tributação mais baixa. Varian estendeu-se pouco na resposta, garantiu que a Google paga impostos e que “o debate não é sobre a magnitude do impostos mas antes sobre quem o recebe”.

O tema era inovação e produtividade e foi sobre isso que Hal Varian falou. Varian é um dos microeconomistas mais conhecidos do planeta e, antes de assumir o lugar de economista-chefe do Google, estava na Universidade da Califórnia nos EUA onde é atualmente professor emérito. “A concorrência hoje é concorrência pelo talento”, garantiu quando ilustrava a dificuldade que as empresas têm em conseguir atrair os melhores profissionais. Dificuldades existem também em diferenciar as suas competências quando são, aparentemente, muito semelhantes. Principalmente, na área da inteligência artificial, análise de dados ou machine learning que são algumas daquelas onde a Google está mais envolvida: “Não é fácil perceber a diferença entre um estatístico, um econometrista ou um analista de dados.”

Varian não tem dúvidas de que a tecnologia tem um enorme potencial para a economia, não só por aquilo que permite fazer mas também pela quantidade de informação que disponibiliza. “O computador está no meio das transações e isso permite recolher dados”, sublinha o economista. É aqui que entram todas as técnicas de análise de informação, da análise de dados ao machine learning.

Para assegurar que há profissionais com experiência e competência nestas áreas ‘novas’, a Google disponibiliza informação e dados às universidades e investigadores. Refere Varian: “Oferecemos 8 milhões de vídeos de You Tube para análise”. Porque, diz, as pessoas são muito melhores que as máquinas a interpretar vídeos, nomeadamente para perceber o que é “uma dança, uma dramatização ou um combate de kung-fu”.