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Draghi: “Temos que ser persistentes na nossa política monetária”

STEPHANIE LECOCQ / EPA

O presidente do Banco Central Europeu assegurou esta terça-feira em Sintra, onde decorre o fórum anual da instituição, que a economia está a recuperar mas que não é tempo ainda travar as medidas de política monetária. É necessário mantê-las para a “dinâmica da inflação se tornar duradoura e auto-sustentada”

Mário Draghi é um homem otimista mas cauteloso e prudente quando fala da economia da zona euro. No discurso de abertura do Fórum do Banco Central Europeu (BCE) que decorre em Sintra até amanhã, deixou uma mensagem de confiança na recuperação da economia mas garantiu também que não vai tirar o pé do acelerador de repente. Tudo isto na linguagem sempre codificada de banqueiro central.

“Estamos mais confiantes no regresso da inflação ao nosso objetivo [de 2%] do que estávamos há uns anos”, sublinhou Draghi depois de ter recordado que a zona euro começou a recuperação mais tarde que outras economias avançadas mas que leva já “16 trimestres consecutivos de crescimento”. Isto não significa, no entanto, que seja tempo de retirar do terreno as medidas de política monetária que foram aplicadas nos últimos anos. O presidente do BCE fez questão de dizê-lo: “À medida que a economia continua a recuperar, a orientação da política irá tornar-se mas acomodatícia, e o banco central pode acompanhar a recuperação ajustando os parâmetros dos seus instrumentos – não para apertar a orientação da política, mas para mantê-la genericamente inalterada.”

Draghi fez ainda questão de sublinhar como a situação evoluiu nos últimos anos. “Vivemos uma situação muito diferente hoje do que a que encontrámos há três anos”, lembrou o banqueiro central. Nessa altura, recorda, “também havia choques globais e um significativo volume de trabalhadores não utilizados no mercado de trabalho (labour slack, no inglês)” mas “a recuperação estava ainda na infância”. Além disso, acrescenta, houve uma clarificação do horizonte político que, naquela altura, era um fator de perturbação acrescido.

Apesar de todo o otimismo quando olha para trás, Draghi insiste que “continua a ser necessário um grau considerável de politica monetária acomodatícia para a dinâmica da inflação se tornar duradoura e auto-sustentada” e a defender que “temos que ser persistentes na nossa política monetária”.