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Juros da dívida abaixo de 3%, mas próximo

Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos reduziram-se ligeiramente e fecharam a semana em 2,94% no mercado secundário. Maiores descidas semanais registaram-se para Grécia, Espanha, Itália e Eslovénia

Jorge Nascimento Rodrigues

Os juros (yields) da linha obrigacionista de referência, a 10 anos, chegou a subir para 2,98% durante a sessão de sexta-feira no mercado secundário, mas fechou a semana em 2,94%, apenas um ponto base abaixo do nível de encerramento na semana anterior.

Depois de algumas sessões no patamar de 2,8%, as yields têm registado uma trajetória ascendente, aproximando-se de 3%, acima da taxa de colocação de 2,85% verificada no leilão a 10 anos de 14 de junho. Os juros portugueses no prazo de referência continuam ligeiramente acima dos registados para as obrigações da Croácia, um país que também tem notação de dívida especulativa, vulgo ‘lixo financeiro’. Mas estão abaixo dos verificados para a Hungria e Polónia, acima de 3%, que são classificados em níveis de investimento no rating.

O prémio de risco da dívida portuguesa agravou-se ligeiramente, em 1 ponto base, fechando a semana em 268 pontos base, o que equivale a um prémio de 2,68 pontos percentuais que os investidores exigem em relação ao custo de financiamento da dívida alemã, que serve de referência. Os prémios para a dívida espanhola e italiana estão em 111 e 165 pontos base respetivamente.

O custo dos credit default swaps (cds), que seguram contra o risco de incumprimento, a 5 anos para Portugal desceram ligeiramente para 195 pontos.

A rentabilidade de toda a dívida obrigacionista portuguesa mantem-se em 7,56%, avaliada pela trajetória ascendente do índice da Bloomberg desde início do ano. É o segundo melhor retorno na Europa, medido desde início de janeiro, depois do registado para a dívida grega, que está em 16,88%. No conjunto da zona euro, a rentabilidade é de 0,63%.

Juros gregos em mínimo de 7 anos

As maiores descidas nesta semana, nas obrigações a 10 anos, registaram-se para a Grécia, Espanha, Itália e Eslovénia. As yields no mercado secundário caíram para 5,42%, uma descida de 28 pontos base (quase três décimas) no caso das obrigações helénicas, fixando um mínimo de sete anos.

Mantem-se o efeito positivo da decisão da última reunião do Eurogrupo em fechar o segundo exame ao terceiro resgate que se arrastava há nove meses e desbloquear a tranche financeira, evitando que Atenas entrasse em incumprimento em julho.

O comissário europeu Pierre Moscovici anunciou, esta semana, que a Comissão Europeia poderá recomendar em breve a saída da Grécia do procedimento por défices excessivos. Atenas registou um excedente orçamental de 0,7% em 2016 e prevê-se que tenha um défice de 1,2% em 2017 e regresse a excedente no ano seguinte.

Klaus Regling, responsável pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade, adiantou, esta semana, que o Tesouro helénico poderá regressar a emissões obrigacionistas no mercado primário ainda no final de 2017 ou no início de 2018. E considerou "inaceitáveis e insultuosas" as críticas de que a Grécia não fez progressos.

Aviso do BCE

Apesar de os analistas esperarem que a equipa de Mario Draghi se decida por uma extensão do programa de compra de ativos por mais um semestre em 2018, ainda que reduzindo mais o volume mensal de compras, Peter Praet, economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), fez um aviso esta semana.

Em entrevista ao jornal alemão Der Spiegel, Praet afirmou que “quando o QE [acrónimo de quantitative easing, designação para o programa monetário expansionista do BCE] acabar, os governos serão responsáveis pela sua dívida”. E acrescentou: “Se os prémios (spreads) aumentarem, isso não é um problema da política monetária”.

Esperando-se, mais tarde ou mais cedo, durante 2018, uma descontinuação gradual do programa de compra de ativos do BCE lançado em março de 2015, os analistas viram, agora, a atenção para um potencial acordo entre a França e a Alemanha, cujo eixo foi renovado com a recente eleição de Emmanuel Macron.

A chanceler alemã Angela Merkel manifestou, esta semana, abertura às propostas de Macron sobre a evolução da integração na zona euro, e nomeadamente um Tesouro e um orçamento comuns, o que poderá ter um efeito positivo nos periféricos do euro, mais vulneráveis ao fecho do QE do BCE.

  • Os dois principais índices MSCI para a Europa registaram perdas esta semana. Lisboa no clube’ das maiores quedas semanais. Bolsas mundiais em terreno positivo puxadas pela Ásia e mercados emergentes