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"O que é que o mundo pode fazer comigo?"

António Raposo de Lima lançou o debate sobre as grandes tendências tecnológicas. O presidente da IBM Portugal sublinhou: "Já não estamos no domínio da ficção científica, nem estamos a falar de utopias, mas a viver um momento único, disruptivo e dinâmico que exige uma transformação contínua e sem precedentes"

António Bernardo

A questão, colocada pelo próprio sistema cognitivo Watson, marcou o arranque da conferência "Watson Portugal Summit 2017", organizada pela IBM e pelo Expresso, com as possibilidades oferecidas por este tipo de ferramentas sempre em destaque

É a era do “Homo Conectus”, como lhe chamou o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor. Ou dos “negócios cognitivos”, nas palavras de Christian Kirschniak, vice-presidente e responsável europeu da IBM pela área do cognitivo. Em suma, a era do conhecimento aplicável. Resta perceber o seu impacto, num exercício de reflexão que foi fio comum a todos os participantes na conferência "Watson Portugal Summit 2017”, marcada também pelo minuto de silêncio em honra das vítimas dos incêndios.

Organizada pela IBM, em parceria com o Expresso, no Teatro Thalia, em Lisboa, o certame juntou figuras de diversos meios para perceber o impacto da ferramenta computacional Watson, desenvolvida pela multinacional norte-americana em 2011 e que se tem afirmado como uma plataforma de inteligência artificial cada vez mais relevante e complexa. Aliás, o próprio foi co-anfitrião da conferência, apresentando os convidados sem se esquecer, no início, de deixar a questão: "O que é que o mundo pode fazer comigo?"

Muita coisa, a julgar pelas diversas intervenções. Como por exemplo no sector de saúde, que se encontra “na linha da frente de toda esta tecnologia”, como garantiu a CEO da Luz. Apesar de ser uma ferramenta que “não falha”, acredita Kiko Martins. Para o chef, as pessoas na sua área só se devem sentir ameaçadas “se não souberem “reinventar.” Porque, de resto, a plataforma só está aqui “em nosso proveito.”

Ambos falaram no painel IBM/Expresso dedicado a “Redefining Jobs and Industries” com moderação do diretor geral de informação do grupo Impresa, Ricardo Costa, e que foi ponto central da conferência. A assumir a bandeira das inovações esteve também na discussão a CEO do SIBS, Madalena Tomé, ao referir que mesmo com “o sistema de pagamentos mais avançado do mundo” (sim, em Portugal), o caminho deve ser continuar a inovar. Não sem que antes, no seu discurso, o diretor do IBM Research, Ullisses T. Mello, lembrasse que, mesmo com antes avanços, não vamos necessariamente “automatizar tudo.”

Se no debate o diretor executivo do FCT, Paulo Ferrão, garantiu que o que vai fazer diferença no futuro são “o talento e as competências”, o ministro ecoou essas mesmas palavras, ao falar da importância de ferramentas como o Watson no acesso contínuo “a novas áreas de conhecimento.” Como fez questão de realçar o presidente da IBM Portugal, António Raposo Lima: “Estamos a viver um momento único.” Resta saber como o vamos aproveitar.