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Hotelaria rumo ao melhor ano de sempre

Gonçalo Rosa da Silva

No primeiro trimestre, os hotéis bateram todos os recordes. Em abril, a Páscoa ajudou. Em maio, foi o Papa

“A nossa expectativa para 2017 é entre o melhor ano de sempre e o muito melhor ano de sempre”, afirma a presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Cristina Siza Vieira. O otimismo da hotelaria nacional assenta nos números já revelados para os quatro primeiros meses do ano. “Se, na época baixa, tivemos o crescimento que tivemos e se abril veio confirmar os resultados do primeiro trimestre, então só podemos projetar o melhor ano de sempre”, explica.

Os hotéis apresentam-se como primeira opção de alojamento para o verão de 2017 e a especialista chama a atenção para outros eventos que estão a puxar pela hotelaria fora da época alta, como foi o caso da visita do Papa Francisco em maio, a assembleia geral da Confederação Internacional das Sociedades de Autores e Compositores em junho, grandes eventos médicos agendados para o outono ou o regresso da WebSummit em novembro.

Quatro recordes

De acordo com a primeira edição do AHP Hotel Snapshot — a nova ferramenta de análise ao desempenho da hotelaria nacional a que o Expresso teve acesso —, os hoteleiros não podiam ter começado melhor o ano. No primeiro trimestre de 2017, a hotelaria nacional conseguiu o feito inédito de bater recordes absolutos em todos os quatro indicadores-chave desta atividade (ver gráficos): a taxa de ocupação por quarto, o gasto médio por turista no hotel, o preço médio por quarto disponível e o preço médio por quarto ocupado. Tudo isto sem contar com a ajuda das férias da Páscoa que, este ano, calharam em abril e não em março.

A taxa de ocupação por quarto situou-se nos 55% durante os primeiros três meses deste ano, o que compara com 51% no primeiro trimestre de 2016 e com 53% do pico registado nos primeiros trimestres de 2007 e de 2008. Uma década depois, a hotelaria finalmente conseguiu bater um novo máximo, superando a crise que afundou a atividade hoteleira entre 2009 e 2013. Desde que bateu no fundo, no primeiro trimestre de 2011, a taxa de ocupação por quarto já recuperou 14 pontos percentuais.

Segundo o AHP Hotel Snapshot, Madeira (75%), Lisboa (67%) e Grande Porto (56%) lideram a taxa de ocupação por quarto nestes primeiros três meses do ano. Estes dois últimos destinos turísticos cresceram 10% face ao primeiro trimestre de 2016, evidenciando o boom do turismo urbano nas duas principais cidades do país, mas também uma procura alicerçada no turismo de negócios e eventos.

O gasto médio por turista no hotel também está a recuperar finalmente da crise. A marca de €105 no primeiro trimestre de 2017 ultrapassou, pela primeira vez, o recorde de €104 estabelecido em 2007.

Uma década depois, este era um dos problemas que persistia no sector. Apesar da ocupação hoteleira ter retomado logo em 2014, a verdade é que os preços e as receitas dos hotéis se mantiveram baixos, evidência da crise e da contração dos gastos dos turistas. Vinham mais hóspedes, mas a gastar muito menos em ‘extras’ como minibar, spa ou restaurantes.

Segundo o AHP Hotel Snapshot, um incremento assinalável no desempenho hoteleiro do primeiro trimestre de 2017 corresponde à receita média por turista no hotel, fruto das vendas de F&B (comida e bebidas), wellness (bem-estar) e outros serviços, crescendo mais 8% face ao primeiro trimestre de 2016 e mais 17% face ao primeiro trimestre de 2014, quando o indicador bateu o mínimo de €89.

O preço médio por quarto disponível (ou RevPAR, do inglês revenue per available room) já deixara a crise para trás em 2016, firmando um novo recorde de €36 no arranque de 2017. Segundo a AHP, o crescimento homólogo do RevPAR neste primeiro trimestre de 2017 foi de 13% face a 2016, de 22% face ao pico de 2007/2008 e de 59% face ao mínimo de 2011, evidenciando a estratégia de promoção do destino Portugal em termos de preço.

O preço médio por quarto ocupado (ou ARR, do inglês average rate room) já superara a crise em 2015, mas bateu agora um novo recorde de €67 no primeiro trimestre de 2017. Segundo a AHP, em causa está um crescimento homólogo de 5% face a 2016 e de 22% face ao mínimo de 2014.

Os números revelados esta semana pelo INE vieram confirmar o forte arranque da atividade turística até abril. Com a ajuda das férias da Páscoa, a AHP classifica como “excelente” o desempenho da hotelaria no mês de abril, antecipando ao Expresso os seguintes crescimentos homólogos: a taxa de ocupação por quarto subiu 8 pontos percentuais para 76%, o gasto médio por turista no hotel subiu 6% para €113, o RevPAR subiu 30% para €64 e o ARR subiu 17% para €84.

Inquérito ao Papa

Apesar de os números ainda não terem sido divulgados, o mês de maio não deverá desapontar. A AHP está a fechar um inquérito sobre o impacto da visita do Papa. Os dados provisórios revelam que o “efeito Papa Francisco” foi tanto maior quanto mais perto estão os hotéis do santuário de Fátima. É o caso da região turística Leiria/Fátima e Templários, onde cerca de 70% dos hóspedes respondeu ter vindo expressamente por causa do Papa.