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Um sonho é a Google, o outro é que o trabalho não ‘engula’ a vida

GETTY

Consultora Universum revela os empregadores mais atrativos para os estudantes

Rute Barbedo

As empresas que conseguirem garantir o equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho serão, provavelmente, as primeiras a aparecer nos sonhos dos jovens portugueses. Entre novembro e abril, a consultora Universum perguntou a 8576 estudantes de 26 instituições do Ensino Superior nacionais quais os objetivos de carreira mais importantes. Mais de metade não hesitou em responder que o essencial é que o trabalho não corrompa o tempo do lazer e do ócio (ver infografia). Menos relevantes parecem ser os objetivos de liderar uma equipa ou de atingir o ‘título’ de especialista numa determinada função ou técnica.

As aspirações profissionais que movem os jovens portugueses foi outra das vertentes analisadas pela consultora no estudo anual “Os empregadores mais atrativos de Portugal”, cujos resultados foram revelados esta semana ao Expresso (a nível global, a análise centra-se nas respostas de mais de 1,2 milhões de jovens, no entanto, este dados serão apenas conhecidos a 28 de junho). A outra face do inquérito vai direta a nomes, colocando no topo da lista das organizações mais desejadas para trabalhar a tecnológica Google, tanto na perspetiva de uma carreira em engenharia como de negócios. Mas também a Apple, o Banco de Portugal, a Jerónimo Martins, o Grupo Sonae, a Microsoft, a Bosch, a Samsung ou a Volkswagen AutoEuropa espelham as ambições dos portugueses.

As perguntas (dirigidas a estudantes de Gestão, Engenharia, Humanidades, Ciências Naturais, Tecnologias de Informação, áreas da saúde e Direito) conduziram a outro dado curioso: 18% escolheram a banca como o sector em que gostariam de começar a trabalhar. Logo a seguir, surgiram a consultoria em gestão e estratégia (14%) e o turismo e atividades de lazer (13%).

Sonho? Não, inovação

Sejam futuros engenheiros ou gestores, há uma palavra que toca como um sino na cabeça da maioria dos inquiridos assim que imaginam o empregador ideal. Equipa? Sonho? Crescimento? Não. O que mais os fascina é a inovação, eventualmente influenciados pela imagem criativa e vanguardista de organizações como a Google ou a Microsoft.

De acordo com João Araújo, gestor da Universum no Reino Unido e Irlanda, “os alunos portugueses valorizam muito uma carreira internacional e um ambiente meritocrático” e uma das principais razões para isso é a possibilidade de uma carreira sem fronteiras, acredita o responsável. “Mas também é verdade que empresas internacionais trabalham a sua marca de empregador há mais tempo e têm processos globais estabelecidos para garantir que são atrativas em todos os países em que estão presentes”, contrabalança João Araújo.

Se a Google surge em primeiro lugar tanto para a área de negócios como para as engenharias, esse facto também pode dever-se à visibilidade da marca. A tecnológica “tem feito um trabalho enorme a comunicar de forma transparente como é trabalhar na empresa”, divulgando desde imagens dos escritórios à cultura organizacional, ilustra o responsável. Ainda assim, também algumas empresas nacionais parecem estar “a ganhar terreno rapidamente e têm capacidade para oferecer este tipo de carreiras internacionais, como são os casos da Jerónimo Martins ou do Grupo EDP”, que também se enquadram nas preferências dos inquiridos.

Trabalha-se melhor 
a reputação

Segundo João Araújo, a maior diferença observada neste estudo, em comparação à edição do ano passado, é que “agora temos empresas portuguesas a trabalhar muito bem a sua reputação como empregador”. Os destaques vão para a Jerónimo Martins, o grupo Sonae, a KPMG, o grupo Pestana, o Santander ou a Bosch, que “tiveram subidas consideráveis na sua atratividade junto dos alunos universitários portugueses”, confirma o responsável.