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Juros fecham perto de 3% apesar de saída do PDE e melhoria do outlook pela Fitch

Os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos fecharam a semana em 2,949% no mercado secundário, quase 10 pontos base acima da taxa paga no leilão de quarta-feira. No entanto, o prémio de risco desceu 10 pontos em relação ao fecho da semana passada

Jorge Nascimento Rodrigues

Os juros (yields) da dívida portuguesa a 10 anos fecharam a semana em 2,949% no mercado secundário, depois de terem descido para 2,83% na quarta-feira, o dia do leilão em que Portugal pagou aos investidores 2,851%, a taxa de colocação mais baixa desde novembro de 2015.

Apesar da saída do procedimento por défice excessivo (PDE), anunciada formalmente na reunião do Ecofin desta sexta-feira, os juros não desceram no mercado secundário e, pelo contrário, voltaram a aproximar-se de 3%.

A agência de notação Fitch decidiu esta sexta-feira, já depois do fecho dos mercados financeiros nos Estados Unidos, divulgar uma melhoria na perspetiva (outllook) da dívida portuguesa de longo prazo, mas sem mexer no rating de Portugal, mantendo-o em nível especulativo, vulgo lixo financeiro, como a edição diária do Expresso antecipara. A decisão da agência foi comunicada depois do mercado secundário de divida soberana ter fechado.

No entanto, comparando com o fecho da semana anterior em 3%, os juros a 10 anos reduziram-se em cinco pontos base, a mesma redução verificada para a Eslovénia, mas menos do que a queda dos juros na Grécia (30 pontos base), em Itália (nove pontos base) e em Malta (sete pontos base).

O prémio de risco da dívida portuguesa desceu 10 pontos base em uma semana, reduzindo-se de 277 para 267 pontos base, o equivalente a um prémio de 2,67 pontos percentuais exigido pelos investidores em relação ao custo de financiamento da dívida alemã, que serve de referência.

Rentabilidade elevada

A rentabilidade da dívida obrigacionista portuguesa continua a destacar-se pela positiva no panorama europeu. O índice da Bloomberg para o conjunto das obrigações portuguesas subiu de 148,69 no início do ano para 159,28 no final desta semana, enquanto para o conjunto da dívida obrigacionista da zona euro o índice subiu, apenas, de 140,56 para 140,78 no mesmo período.

Segundo aquele indicador da Bloomberg, o retorno desde início do ano das obrigações portuguesas situa-se em 7,56% face a uma média de 0,32% do conjunto da dívida da zona euro e de 0,05% para Itália e 0,61% para Espanha. A líder neste indicador é a Grécia, com um retorno desde início do ano de 15,16%.

Fruto da decisão do Eurogrupo em aprovar na quinta-feira o desembolso de uma tranche à Grécia, encerrando o segundo exame ao resgate a Atenas e afastando o risco de incumprimento em julho, os juros da dívida grega a 10 anos desceram para 5,7% e o prémio de risco caiu 50 pontos base (meio ponto percentual).

Fitch dá primeiro passo

A edição diária do Expresso já antecipara a decisão da Fitch em melhorar a perspetiva (outlook) sem retirar ainda a dívida portuguesa de longo prazo do nível especulativo, vulgo ‘lixo financeiro’. A classificação permanece em BB+, similar à atribuída pela Moody’s e Standard & Poor’s.

Mas o passo seguinte para uma retirada de Portugal de 'lixo financeiro' depende de quatro condições colocadas pela Fitch: maior confiança numa trajetória sustentada de descida da dívida pública; não haver mais stresse no sector bancário; redução do endividamento externo sustentado por excedentes externos; e perspetivas claras de crescimento de longo prazo mais forte.

Risco acrescido de pressão dos aliados do governo

A agência vai vigiar, em particular, o prosseguimento de uma política orçamental apertada mantendo a estabilidade da maioria parlamentar de apoio ao governo atual. A Fitch alerta que a estrutura da maioria parlamentar que suporta o governo de António Costa o “expõe a uma pressão politica potencial” no sentido da diminuição do esforço de consolidação, “sobretudo depois da saída do PDE”.

Nas previsões da Fitch, o rácio de endividamento público em relação ao PIB deverá descer para 126% em 2018 - excluindo mais intervenções no sector bancário - e cair para 111% em 2026.

Segundo a agência, Portugal tem pontos fortes no plano institucional, acima dos que se observam nos seus pares com notações BB (similares) e mesmo BBB (superiores à portuguesa). Mas, tem pontos fracos, em relação aos pares, no potencial de crescimento derivado de um alto endividamento do sector privado (271% do PIB em final de março) e das fragilidades do sector bancário (nomeadamente o crédito malparado, 20% dos ativos no final do primeiro semestre do ano passado) e da demografia.

A agência volta a analisar a situação portuguesa em dezembro. No calendário de próximas avaliações do rating, seguem-se a 1 de setembro a Moody’s e a 15 do mesmo mês a S&P, que consideram estável o outlook. A atenção dos analistas volta-se, agora, para a rentrée, para se saber se as outras duas agências secundam a Fitch.