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Banco de Inglaterra não mexe nas taxas

O banco central britânico manteve a taxa diretora no mínimo histórico de 0,25%. Mas no comité de oito membros, três votaram a favor de uma subida das taxas de juro

Jorge Nascimento Rodrigues

O Banco de Inglaterra (BoE) decidiu esta quinta-feira não mexer na política monetária expansionista. A taxa diretora de 0,25%, um mínimo histórico, foi mantida, mas a decisão não foi unânime.

Nos oito membros do comité de política monetária, três votaram contra, sendo a favor de uma subida, já nesta reunião, de 25 pontos base da taxa, que passaria para 0,5%. O número de opositores passou de apenas um na reunião anterior para três.

Em relação às outras componentes da política expansionista registou-se unanimidade no comité. O banco central britânico decidiu manter os tetos de aquisição de ativos: 435 mil milhões de libras para títulos de dívida pública e 10 mil milhões de libras para títulos privados.

Depois da decisão conhecida, os juros dos títulos britânicos a 10 anos subiram de imediato no mercado secundário, aumentando de 0,93% no fecho de quarta-feira para mais de 1%. A libra apreciou-se 0,24% face ao dólar e 0,8% face ao euro.

O Reino Unido registou duas boas notícias económicas esta semana. O desemprego desceu para o nível mais baixo desde 1975, situando-se entre fevereiro e abril do ano em curso em 4,6%. A inflação acelerou subindo de 2,7% em abril para 2,9% em maio e o comité de politica monetária prevê que possa chegar a 3% no outono, claramente muito acima da meta de 2%. Mas, as vendas no retalho em maio caíram 1,2% depois de uma subida de 2,5% no mês anterior. A economia também desacelerou no primeiro trimestre do ano em relação aos três meses anteriores, com o crescimento em cadeia a reduzir-se para 0,2%. Razões económicas para a prudência da maioria de membros do comité. Sem contar a incerteza sobre o novo governo de Theresa May em termos de sustentabilidade parlamentar e de desenrolar das negociações do Brexit que se iniciam para a semana.

O comunicado de hoje refere que a inflação poderá manter-se acima daquela meta "por um período logo de tempo" em virtude da depreciação da libra. Foi essa trajetória que levou ao voto contra dos três membros que defendiam uma subida da taxa de juro. Os restantes não acharam ainda apropriada tal mexida. Mas, o comunicado admite que a "tolerância" do comité em relação a este nível muito acima da meta de 2% poderá terminar face a uma queda continuada da taxa de desemprego, levando o BoE a mexer nas taxas de juro, iniciando a saída de mínimos históricos.

Recorde-se que ontem a Reserva Federal norte-americana decidiu subir as taxas de juro e que a Autoridade Monetária de Hong Kong seguiu hoje o mesmo caminho.