Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Recuperação de empresas. Fundo com com perdas de 30%

A banca regista perdas de 30% no Fundo de Recuperação, destinado à revitalização de empresas e gerido pela ECS

O Fundo de Recuperação, o maior fundo de revitalização empresarial com uma dotação de 970 milhões de euros, acumula uma desvalorização da ordem dos 30%.

Este é o valor das perdas registadas pelo BCP e Caixa Geral de Depósitos (CGD), dois dos subscritores, nos seus relatórios de 2016. Isto é, o sistema bancário e a Direção-Geral do Tesouro repartem perdas de 290 milhões de euros. A boa notícia é que em 2016 a desvalorização foi residual, indiciando que a digestão dos prejuízos estará concluída.

Lançada em 2009, o fundo de capital de risco é gerido pela ECS, a sociedade fundada por António de Sousa e Fernando Esmeraldo. Contactada pelo Expresso, a sociedade manteve-se fiel à tradição de ignorar os pedidos de esclarecimento.

Tesouro reduziu exposição

BCP e Novo Banco (27%), CGD (18,6%) e BPI (12%) são os principais acionistas do Fundo de Recuperação. A Direção-Geral do Tesouro juntou-se ao sistema bancário no lançamento do fundo, mas não acompanhou os dois aumentos de capital e reduziu a sua exposição de 15,2% para 6,2%.

A CGD regista no relatório de 2016 imparidades de 46 milhões, face a um investimento de 161,6 milhões. Em 2016, as imparidades agravaram-se dois milhões de euros (4,5%)

Já o BCP regista uma cedência de ativos de 343 milhões e avalia a sua participação em 232 milhões (mais 10,9 milhões do que em 2015).

Na sua cruzada regenerativa, o fundo da ECS adquiriu participações em mais de 20 empresas dos mais mais diversos sectores, como a Moretextile (líder no sector do têxtil-lar pela fusão da Coelima, a JMA e a António Almeida & Filhos), a Montalva (sector das carnes), a Investwood (placas de madeira), Cifial (torneiras), Move On (calçado) ou Grupo MJO (cortiça).

No caso da Moretextile, o relatório da CGD regista um outro percalço financeiro, apesar do desempenho estimulante e dos recordes alcançados pelo setor têxtil. O banco público foi o principal financiador da reestruturação do grupo e injetou, como suprimentos, mais 31,2 milhões. As perdas potenciais agravaram-se 883 mil euros durante 2016 e somavam 37 milhões no fim do exercício.