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Países europeus com juros mais elevados têm melhor rating que Portugal

Os juros da dívida portuguesa a 10 anos no mercado secundário estão em mínimos desde meados de agosto de 2016 e a taxa paga no leilão desta quarta-feira está em mínimo de 19 meses. Hungria e Polónia registam taxas superiores a 3% e beneficiam de notação fora de ‘lixo financeiro’

Jorge Nascimento Rodrigues

Os juros (yields) das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, fecharam esta quarta-feira em 2,85%, um mínimo no mercado secundário desde meados de agosto de 2016 e um valor similar à taxa de colocação paga pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Publica (IGCP) no leilão de hoje naquela maturidade. Chegaram a cair para 2,82% durante a sessão no mercado secundário.

No leilão da OT a 10 anos, o IGCP acabou por pagar uma taxa muito inferior aos 4,2% registados no lançamento daquela linha em janeiro passado. A taxa de colocação paga hoje é a mais baixa desde o leilão de dívida a 10 anos realizado em novembro de 2015, quando pagou 2,4294% na linha de OT que vencia em 2025. Durante 2016, o IGCP pagou taxas superiores a 3% nos quatro leilões que realizou na linha que vencia em 2026.

O mercado secundário registou esta quarta-feira um movimento geral de queda dos juros da dívida a 10 anos na União Europeia, com exceção da Irlanda e de Malta, entre os periféricos da área do euro. A maior descida, no prazo de referência, em relação ao fecho do dia anterior, registou-se para os juros da dívida britânica que se reduziram em 10 pontos base, caindo abaixo de 1%, e para os juros das OT que recuaram oito pontos base.

A queda dos juros da dívida portuguesa, superior à redução verificada para a taxa das obrigações alemãs, gerou esta quarta-feira uma queda do prémio de risco para 262 pontos base, um nível que já não se observava desde abril de 2016.

Em relação ao final de maio, este prémio que os investidores exigem ao Tesouro português já se reduziu em 14 pontos base. As maiores reduções, em relação ao final de maio, verificaram-se para os prémios de risco da dívida helénica (caiu 20 pontos base) e italiana (diminuiu 18 pontos base).

Hungria e Polónia com juros e prémio de risco mais altos

Hungria e Polónia, dois países da União Europeia, fora da área do euro, com taxas de juro superiores à portuguesa no prazo a 10 anos e com prémios de risco superiores ao exigido a Portugal, registam, agora, notações superiores, estando classificados em terreno de investimento pelas três principais agências de rating.

Os juros da dívida húngara a 10 anos fecharam esta quarta-feira em 3% e o prémio de risco em 284 pontos base. Quanto à dívida polaca, os juros, naquele prazo, encerraram em 3,14% e o prémio de risco em 291 pontos base. A Hungria tem um rating de BBB- (ou equivalente) atribuído pelas três agências. A Polónia recolhe uma notação de A2 atribuído pela Moody’s, A- pela Fitch e BBB+ pela S&P.

O rating especulativo, vulgo 'lixo financeiro', começa em BB+ (ou equivalente), logo abaixo de BBB-.

A diferença substancial entre Portugal e os outros dois países da União Europeia referidos centra-se em dois indicadores: o nível de divida pública em relação ao PIB e o peso da dívida externa em percentagem do PIB. Em final de 2016, Portugal tinha uma dívida pública em 130,4% do PIB e uma dívida externa de 216% do PIB. Em contraste, a Hungria registava 74,1% e 121% do PIB naqueles dois indicadores. Para a Polónia, os valores eram de 54,4% e 70% respetivamente.

A Fitch deve reanalisar o rating português na próxima sexta-feira, no mesmo dia em que o Ecofin deverá declarar que Portugal saiu do procedimento de défice excessivo. Aquela agência atribui uma classificação de dívida especulativa no nível BB+ aos títulos obrigacionistas portugueses de longo prazo.

  • O IGCP colocou esta quarta-feira €1250 milhões em obrigações a 5 e 10 anos pagando taxas de juro muito inferiores às registadas nos leilões anteriores em maio e abaixo inclusive das yields no mercado secundário. A 10 anos pagou 2,851%, o valor mais baixo desde novembro de 2015 naquele prazo de referência