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Obrigações a 10 anos com juros abaixo de 2,9% a meia hora do leilão de dívida

Os juros dos títulos portugueses no prazo de referência desceram no mercado secundário para menos de 2,9% a apenas meia hora do início do leilão desta linha de Obrigações do Tesouro pelo IGCP

Jorge Nascimento Rodrigues

A apenas meia hora do início do leilão de dívida que o Tesouro vai realizar esta quarta-feira, os juros (yields) dos títulos no prazo a 10 anos caíram para 2,88% no mercado secundário. Na maturidade a 5 anos desceram para 1,266%.

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) realiza pelas 10h30 dois leilões de dívida de médio e longo prazo, reabrindo as linhas de Obrigações do Tesouro com vencimento em 2022 e 2027 (esta última lançada em janeiro).

Recorde-se que, em janeiro, na operação sindicada de lançamento da nova referência a 10 anos (com vencimento em 2027), o IGCP pagou aos investidores mais de 4%. No primeiro leilão desta nova linha, realizado em maio, a agência pagou uma taxa de colocação de 3,386%. No prazo a 5 anos, o IGCP pagou em maio 1,828%.

As yields no mercado secundário apontam para a probabilidade de se verificarem hoje taxas de colocação muito abaixo das registadas nos leilões de maio.

O IGCP pagou taxas de colocação de 3,027% no leilão da referência a 10 anos (então, a linha obrigacionista a vencer em 2026) em agosto do ano passado. Em 2015, no ano de mínimos históricos nas yields de dívida obrigacionista em Portugal, o Tesouro pagou 2,04% em fevereiro daquele ano na linha que vencia em 2025. Este mínimo ocorreu depois de anunciado por Mario Draghi o lançamento de um programa de compra de dívida pública no mercado secundário, que se iniciaria no mês seguinte.

O leilão de hoje realiza-se num quadro positivo na zona euro e para Portugal.

O Banco Central Europeu (BCE) manteve a orientação de política monetária expansionista até final do ano na reunião que realizou no início de junho. No entanto, Vítor Constâncio, vice-presidente do BCE, disse hoje em Roma que o banco poderá revelar o plano futuro sobre o programa de compra de ativos ainda antes de dezembro. O Ecofin deverá decidir a saída de Portugal do procedimento de défice excessivo na próxima sexta-feira.

O risco político na zona euro diminuiu depois da vitoria esmagadora na primeira volta das eleições legislativas em França dos partidos que apoiam o novo presidente Emmanuel Macron e da derrota do Movimento 5 Estrelas na primeira volta das eleições municipais em Itália, onde a probabilidade de eleições antecipadas no outono baixou significativamente depois de inviabilizada a reforma da lei eleitoral.

O Eurogrupo deverá optar na quinta-feira por um compromisso de desbloqueamento da tranche financeira do resgate à Grécia, adiando, no entanto, a concretização de medidas de médio prazo de alívio da dívida helénica, que tem sido exigida pelo Fundo Monetário Internacional e apoiada pelo novo executivo francês.