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Fed sobe taxa de juro pela segunda vez este ano

O banco central norte-americano subiu esta quarta-feira a taxa diretora em 25 pontos base para o intervalo entre 1% e 1,25%, como era esperado pelos analistas e indicado pelo mercado de futuros. Anuncia que iniciará redução de ativos ainda "este ano"

Jorge Nascimento Rodrigues

A Reserva Federal norte-americana (Fed), o banco central, anunciou esta quarta-feira depois da reunião que se iniciou ontem, que a taxa de juro diretira subiu 25 pontos base - 0,25 pontos percentuais - para o intervalo entre 1% e 1,25%. É a segunda subida este ano, depois de a Fed ter aumentado em 25 pontos base a taxa diretora em março passado. A decisão não foi por unanimidade no comité de política monetária (conhecido pela sigla FOMC em inglês, Comité Federal de Mercado Aberto) formado por 9 membros; registou um voto contra.

É a primeira vez desde o início de outubro de 2008 que a taxa diretora fica acima de 1%.

A Fed iniciou a saída de um mínimo histórico no intervalo entre 0% e 0,25% em dezembro de 2015 quando subiu a taxa diretora para o intervalo entre 0,25% e 0,50%. Desde essa altura já procedeu a mais três subidas.

Mais uma subida ainda este ano, mas mercados apontam para maio de 2018

O comité de política monetária continua a apontar para uma nova decisão de subida das taxas de juro até final do ano. A projeção dos participantes do comité aponta para uma taxa diretora em 1,4% no final de 2017. Mas os banqueiros centrais decidiram rever em baixa de 3% para 2,9% a taxa prevista para final de 2019. Recorde-se que, no final de janeiro de 2008, a taxa estava em 3%. Pelo que nem daqui a dois anos e meio se atingirá a taxa anterior à precipitação do colapso financeiro em 2008.

No mercado de futuros das taxas de juro, a probabilidade de uma subida para o intervalo 1,25% a 1,5% só ultrapassa a manutenção do nível decidido hoje nas reuniões de maio e junho de 2018, segundo o monitor do grupo CME. Uma discrepância clara que permanece entre as projeções dos banqueiros centrais e o mercado.

O comunicado do banco central anuncia ainda que iniciará ainda "este ano" um processo de redução dos seus ativos, que estavam em 4,4 biliões de dólares (cerca de €3,9 biliões) no início de junho, menos do que os registados pelo Banco Central Europeu.

Os analistas apontam, agora, a possibilidade desse processo se iniciar depois da reunião de setembro. O comité sublinha que o processo será "gradual" e "previsível" para os mercados, de modo ao volume de ativos poder descer no futuro para 2 a 2,5 biliões de dólares. O ritmo começará com uma redução mensal de 10 mil milhões de dólares no início até um máximo de 50 mil milhões de dólares.O objetivo é emagrecer o ativo entre 1,9 a 2,4 biliões de dólares. Vários anos para o conseguir.

Projeções para 2017: crescimento revisto em alta, mas inflação corrigida em baixa

A Fed divulgou, também, as projeções económicas dos participantes do comité, tendo revisto em alta o crescimento para 2017, em mais uma décima, apontando, agora, para 2,2%. No entanto, recorde-se que a taxa de crescimento do PIB desceu para 1,2% no primeiro trimestre do ano em curso.

Baixou a previsão para a taxa de desemprego até 2019. A projeção aponta agora para 4,3% em 2017 e 4,2% nos dois anos seguintes. Ou seja, a economia está cada vez mais próxima de uma situação de pleno emprego.

Reviu, também, em baixa a inflação para 2017, cortando a projeção de 1,9% para 1,6%, ficando, este ano, ainda mais distante da meta de 2%. É uma redução significativa em relação às projeções de março. Recorde-se que a inflação tem estado num processo de desaceleração nesta primeira metade do ano, tendo descido de 2,5% em janeiro para 1,9% em maio, segundo as previsões divulgadas esta manhã.

A reação imediata foi positiva em Wall Street e no Nasdaq. Mas os índices S&P 500. Dow Jones 30 e Nasdaq (das tecnológicas) continuam perto da linha de água, hesitando.

A atenção vira-se, agora, para a conferência de imprensa que a sua presidente, Janet Yellen, dará dentro de trinta minutos.