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Fed poderá analisar “no futuro” a subida da atual meta de inflação de 2%

Janet Yellen, presidente do banco central norte-americano, respondeu a uma carta aberta de economistas propondo uma comissão para analisar uma mexida na meta de inflação que orienta a política monetária desde 2012

Jorge Nascimento Rodrigues

“Por enquanto, a Fed está focada em atingir a meta de 2% [para a inflação]”, mas uma decisão sobre a possibilidade de aumentar esse alvo da política monetária poderá ter de ser tomada “em algum momento no futuro”, disse esta quarta-feira Janet Yellen, a presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed).

Yellen respondia deste modo, na conferência de imprensa de hoje em Washington, à carta aberta de 22 economistas norte-americanos, entre eles o Nobel Joseph Stiglitz, propondo a criação de uma comissão para estudar a possibilidade de um aumento da meta de inflação. “Essa é uma questão importante para a Fed e uma decisão terá que ser tomada em algum momento no futuro”, mas terão de ser avaliados não só os benefícios, mas também os custos, referiu.

No entanto, não se pronunciou sobre a criação de uma comissão para esse fim, sublinhando que a Fed continuará a dar atenção aos estudos de investigação que sejam levados a cabo “dentro e fora” do banco central.

Sobre a atual meta de 2%, Yellen sublinhou que foi “uma decisão bem pensada” tomada em 2012.

Sublinhe-se que, depois de um programa de compra de quantitative easing que elevou os ativos da Fed para um recorde de 4,47 biliões de dólares em fevereiro de 2015 e de uma sequência de subidas de taxas de juro diretoras desde dezembro de 2015, o índice de preços continua sem uma trajetória inflacionista clara que mostre uma subida sustentável para o alvo de 2%. “Bem, pelo contrário”, disse Yellen. A inflação não está a responder a um crescimento económico que deverá ficar acima de 2% em 2017 e a um mercado laboral praticamente no pleno emprego (a projeção divulgada hoje para 2017 é de fechar o ano com uma taxa de desemprego de 4,3%).

Contudo, a presidente do banco central afirmou que é importante “não reagir de maneira excessiva a dados frequentemente com ruído”. Garantiu, no entanto, que o banco central está a monitorizar o comportamento da inflação (que desceu de 2,5% em janeiro para 1,9% em maio, segundo dados divulgados hoje). Mas é convicção de Yellen que “com um mercado de trabalho fortalecido, as condições estão no terreno para a inflação subir”.

  • O banco central norte-americano subiu esta quarta-feira a taxa diretora em 25 pontos base para o intervalo entre 1% e 1,25%, como era esperado pelos analistas e indicado pelo mercado de futuros. Anuncia que iniciará redução de ativos ainda "este ano"