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Acionistas privados: “A TAP precisa de estabilidade e de um conselho de administração coeso”

Humberto Pedrosa e David Neeleman

José Carlos Carvalho

Na sequência da polémica que as nomeações dos elementos do conselho de administração da TAP indicados pelo Estado está a gerar, os acionistas privados da empresa, Humberto Pedrosa e David Neeleman, abordaram o tema esta manhã

Miguel Frasquilho, ex-presidente da AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, para chairman, Ana Pinho, presidente do conselho de administração da Fundação de Serralves e administradora da Oporto British School, e Diogo Lacerda Machado para os cargos de vogais. Foram estes os nomes confirmados pelo Governo ao Expresso, no sábado passado, de três dos seis elementos que o Estado indicou para o conselho de administração da TAP.

Esta quarta-feira, em comunicado enviado às redações, o consórcio Atlantic Gateway, que junta os empresários Humberto Pedrosa e David Neeleman, pronunciou-se sobre as escolhas do Estado: “A TAP precisa de estabilidade e de um conselho de administração coeso que apoie esta estratégia de crescimento e sustentabilidade que temos vindo a conseguir."

Ainda no sábado, reagindo à notícia do Expresso, o líder do PSD, Passos Coelho, disse que era “uma pouca-vergonha” o Governo nomear para administrador da TAP “o mesmo homem que andou a negociar a reversão” da privatização da transportadora. Referia-se a Diogo Lacerda Machado, que o Governo considera ser um “gestor”, “grande conhecedor do sector da aviação” e um “jurista com fortes capacidades de negociação”, conforme comentou ao Expresso Pedro Marques, ministro do Planeamento e das Infraestruturas.

Em declarações ao Expresso, Diogo Lacerda Machado diz não ter ver vergonha. Pelo contrário. “Tenho imenso orgulho naquilo que ajudei a fazer. Foi com sentido de serviço público”. E explica: “Os factos mostram que foi possível reconfigurar a privatização da TAP para um modelo em que os privados investem o mesmo, mas ficam com 45% do capital da empresa, em vez de 61%”.

Desde que entrou no capital da transportadora aérea portuguesa, a Atlantic Gateway “tem estado a executar com sucesso o plano de turnaround da TAP desde a conclusão da privatização. Esse plano passa por recolocar a TAP numa rota de crescimento, o que já foi conseguido, por ter investido na empresa, capitalizando-a, por ter criado novas rotas, entre outras, para a América do Norte, pela melhoria do seu produto com um plano de compra de novos aviões e de renovação dos interiores dos atuais e finalmente, pela redução da sua dívida, processo a que também já deu início”, acrescentam os acionistas privados.

Conforme o Expresso noticiou há um mês, desde que a TAP foi privatizada, em novembro de 2015 - ainda com o Governo de Passos Coelho e num modelo em que o consórcio Atlantic Gateway comprara 61% do capital da companhia aérea -, o investimento realizado na empresa foi de €167 milhões. Foi esse o valor investido em 2016, enquanto decorria o processo de reversão do negócio fechado com o anterior Executivo (passando os privados a deter 50% do capital, menos as ações que foram agora adquiridas pelos trabalhadores, ou seja, 45%). E a previsão é que "continue a efetuar investimentos da ordem dos €210 milhões em 2017", revelou na altura ao Expresso fonte oficial da transportadora aérea.

“Estamos certos de que este novo conselho de administração, que será eleito no dia 30 de junho, terá as competências necessárias e estará à altura dos desafios que terá pela frente, dada a experiencia empresarial e complementaridade dos seus membros”, remata o consórcio Atlantic Gateway.

Recorde-se que, no domingo, Luís Marques Mendes, no seu espaço de comentário semanal no “Jornal da Noite” da SIC, adiantou os nomes de Esmeralda Dourado, administradora da SAG, Bernardo Trindade, ex-secretário de Estado do Turismo, e António Gomes de Menezes, ex-presidente da companhia aérea SATA, para administradores não-executivos da TAP indicados pelo Estado.

Estas nomeações recaírem a meio do atual mandato, que termina no final deste ano. O conselho de administração será paritário, com seis elementos indicados pelo Estado e seis pelos acionistas privados, através do consórcio Atlantic Gateway, dos empresários Humberto Pedrosa e David Neeleman, que ficam com uma participação de 45% (os trabalhadores absorveram 5% na oferta pública de venda – OPV), sendo que o presidente nomeado pelo Estado — Frasquilho — terá voto de qualidade.

“A Atlantic Gateway continuará a nomear a gestão executiva da TAP, que é hoje uma empresa privatizada e privada, e pretende manter o ritmo de transformação da empresa que está em curso, única forma a garantir a sua sustentabilidade e crescimento”, lê-se ainda no comunicado da Atlantic Gateway.

Do lado dos privados, mantêm-se Humberto Pedrosa, David Neeleman e, de acordo com as fontes ouvidas pelo Expresso, entrará um representante dos chineses da HNA (que participa no consórcio Atlantic Gateway através da brasileira Azul e objetiva uma posição de 20% na TAP). Na comissão executiva, que será privada, Fernando Pinto manter-se-á presidente, David Pedrosa (filho de Humberto Pedrosa), terá o pelouro financeiro, e Trey Urbahn (braço-direito de David Neeleman), será responsável pela área comercial.