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Juros da dívida portuguesa abaixo de 3%

Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos no mercado secundário registam uma trajetória descendente esta terça-feira. Tal como no caso dos títulos gregos. Em contraste com uma subida nos restantes periféricos e na Alemanha

Jorge Nascimento Rodrigues

Os juros (yields) das Obrigações do Tesouro português (OT) a 10 anos estão em trajetória descendente desde segunda-feira. Na sessão de segunda-feira chegaram a descer para 2,959%, mas fecharam ligeiramente acima de 3%. Na sessão desta terça~feira, abriram ligeiramente acima de 3%, mas estão, agora, abaixo desse limiar.

Portugal regressa ao mercado primário obrigacionista amanhã com dois leilões de dívida, um dos quais relativo às OT a 10 anos, uma linha que foi lançada em janeiro tendo o Tesouro pagou, então, mais de 4% na operação sindicada. No primeiro leilão dessa linha, em maio, pagou 3,386%. Há a possibilidade da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) pagar amanhã menos de 3%.

Ecofin deverá dar OK à saída de défice excessivo

A reforçar a situação favorável, o Ecofin deverá concordar na reunião da próxima sexta-feira com a recomendação feita pela Comissão Europeia a 22 de maio, dando luz verde à saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo (PDE). No mesmo dia, a agência de notação Fitch aprecia o rating da dívida portuguesa.

Estão, também, a descer os juros das obrigações helénicas naquele prazo de referência, que se situam desde ontem abaixo de 6%. É positiva a perspetiva para a reunião do Eurogrupo de quinta-feira. Os 19 deverão aprovar o fecho do segundo exame ao terceiro resgate grego e o desembolso da tranche financeira em atraso.

No entanto, a questão da concretização das medidas de médio prazo de alívio da dívida deverá ser, uma vez mais, adiada. O governo de Atenas recebeu esta semana o apoio do novo governo de Paris nesta matéria. O Fundo Monetário Internacional deverá dar um acordo de princípio às decisões de quinta-feira, mas continuará fora do programa de resgate financeiro até que a questão do alívio de dívida seja concluída. Em virtude do adiamento desta questão, decisiva para a sustentabilidade da dívida helénica, o Banco Central Europeu deverá continuar a manter os títulos gregos fora do programa de compra de ativos.

Nos restantes periféricos, os juros estão em alta, ainda que ligeira, naquele prazo. Também os juros das obrigações alemãs seguem essa tendência.

BCE mantém política expansionista e populismo anti-euro recua

Os analistas sublinham que o quadro global na zona euro é favorável a uma descida dos juros da dívida pública em junho, apesar das oscilações.

No plano da política monetária, a mais recente reunião do Banco Central Europeu reafirmou a política monetária expansionista. Haverá que avaliar o impacto neste lado do Atlântico de uma provável subida das taxas de juro da Reserva Federal norte-americana, cujo comité de política monetária anuncia amanhã as suas decisões, depois de uma reunião que se inicia hoje em Washington. No mercado de futuros daquelas taxas, a probabilidade de uma decisão para uma subida está em 95,8%, segundo o monitor do Grupo CME.

No plano dos riscos políticos internos à zona euro, depois do resultado dos partidos que apoiam o novo presidente francês na primeira volta das eleições legislativas no passado domingo - apontando para uma maioria presidencial absoluta esmagadora na Assembleia Nacional e uma representação reduzida da Frente Nacional depois da segunda volta no próximo domingo - e da derrota do Movimento 5 Estrelas na primeira volta das eleições municipais em Itália, o movimento anti-euro e anti-União Europeia na zona euro parece estar em recuo nítido. Deixaram, também, de estar no radar dos riscos eleições antecipadas em Itália no outono depois de ter fracassado a reforma da lei eleitoral.