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Investimento em publicidade está estagnado

José Caria

Mercado publicitário, que costuma ser um barômetro económico, não acompanha tendência de recuperaçao. Associação do sector está surpreendida

A atividade económica está a acelerar e os mais recentes indicadores dão conta de uma recuperação: PIB a crescer 2,8%, desemprego abaixo dos 10%, investimentos a aumentar e Bolsa de Lisboa a subir. A publicidade, porém, que costuma ser um barómetro do estado da economia não está a acompanhar esta onda de otimismo.

"A evolução do mercado publicitário não acompanha as boas notícias nacionais, infelizmente e para já", avança Sofia Barros, secretária-geral da Associação Portuguesa das Agências de Publicidade, Comunicação e Marketing (APAP). A responsável da associação do sector mostra-se surpreendida com este desempenho, para o qual não encontra uma explicação fundamentada.

"O balanço do investimento no primeiro trimestre, ao contrário do que se assistiu em 2016 que tinha fechado com uma subida anual de 5,2%, é de quase estagnação, assistindo-se apenas a uma alteração na repartição entre os diversos meios, em que ganham a televisão por cabo e o digital e perdem todos os restantes meios, revela Sofia Barros, acrescentando que nos primeiros três meses do ano os investimentos em publicidade tiveram uma variação de 0,3% em relação ao período homólogo em 2016.

Estes números, que têm por base valores líquidos a preços de tabela da Mediamonitor, indicam que no primeiro trimestre os meios de comunicação nacionais recolheram pouco mais de €98 milhões em investimento publicitário.

"Como mera hipótese parece-me que as boas notícias do país estão mais alicerçadas no extraordinário incremento do turismo, sendo que os turistas não são propriamente um alvo publicitário nacional", argumenta Sofia Barros. A secretária-geral da APAP sustenta, no entanto, que "o acréscimo de negócio e faturação da indústria, do comércio e dos serviços em Portugal vai seguramente ter impacto no investimento a ser efetuado no resto do ano", remata.