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Zona Euro lidera perdas bolsistas da semana

O índice bolsista para os 19 do euro perdeu mais de 1%. As bolsas mundiais desvalorizaram quase meio por cento. PSI 20 encontra-se entre as 10 praças com maiores perdas semanais

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas mundiais registaram perdas esta semana e estiveram no vermelho em quatro das cinco sessões.

O índice MSCI global recuou 0,46% durante uma semana marcada por uma nova crise no Golfo, a reunião do Banco Central Europeu reafirmando a política expansionista apesar de alterações na linguagem de comunicação, as eleições britânicas em que o governo de Theresa May perdeu a maioria absoluta, mas vai procurar formar novo executivo, e o testemunho perante o Senado norte-americano do ex-diretor do FBI James Comey atacando a Administração Trump.

O índice “regional” MSCI com pior desempenho semanal foi o da zona euro que caiu 1,06%. O índice registou quatro sessões seguidas no vermelho, mas fechou na sexta-feira ligeiramente acima da linha de água.

Paris e Lisboa no clube das maiores quedas semanais

A liderar as quedas semanais na zona euro, o índice Cac 40 de Paris com perdas de 0,82. Logo a seguir, o PSI 20, em Lisboa, que recuou 0,35%.

As quedas em Paris e Lisboa colocaram aqueles dois índices entre os 10 com perdas semanais mais elevadas à escala mundial. Nesse ‘clube’ global, a liderança coube ao índice SMI de Zurique, que recuou 2,2%, acompanhado pelo ASX 200 de Sydney que perdeu 1,9% e pelo Nasdaq (índice composto) em Nova Iorque que caiu 1,6%, com uma maré vermelha nas tecnológicas.

O FTSE 100, o índice das principais cotadas na bolsa londrina, fechou sexta-feira com ganhos superiores a 1% influenciados pela desvalorização da libra face ao euro e ao dólar provocada pela perda de maioria absoluta do Partido Conservador nas eleições de quinta-feira. Mas o índice registou perdas semanais de 0,27%.

Em Lisboa, o pior desempenho semanal no PSI 20 registou-se com as ações do Montepio, que caíram mais de 27%, e da Mota Engil, que perderam 12,4%.

Madrid e Milão com ganhos semanais

Apesar da onda vermelha na zona euro e à escala pan-europeia, a bolsa de Viena de Áustria (cujo índice avançou 1,6%) esteve entre as cinco com melhor desempenho semanal no mundo.

Registaram ganhos semanais na União Europeia as bolsas de Viena, Varsóvia, Milão (apesar da crise bancária e do risco de eleições legislativas antecipadas ainda este ano), Bruxelas, Madrid (marcada pela liquidação do Banco Popular e a sua aquisição pelo Santander), Estocolmo e Amesterdão, por ordem decrescente de ganhos.

Os índices para a Ásia Pacífico e os Estados Unidos fecharam com perdas semanais de 0,1% e 0,24% respetivamente. O mau desempenho semanal das bolsas de Sydney, Jacarta e Tóquio - a mais importante da região, e terceira no mundo em capitalização - marcaram o comportamento negativo asiático.

Abalo nas tecnológicas em Nova Iorque

Nos EUA, o índice Nasdaq composto perdeu 1,6% durante a semana, como já referido, e Wall Street ficou marcada com perdas semanais de quatro pesos pesados tecnológicos: a Apple (queda de 4,2%), Microsoft (-2%), Cisco (-1,9%) e Intel (-1,7%), incluídas no índice Dow Jones 30 do New York Stock Exchange (NYSE).

Apesar de as ações da Amazon e da Alphabet Inc (conglomerado dono da Google) e Alphabet Ações A (Google) terem ultrapassado os 1000 dólares esta semana no NYSE, fecharam na sexta-feira no vermelho e registaram perdas em termos semanais de 2,82%, 2,64% e 2,61% respetivamente. As ações do Facebook no Nasdaq perderam 2,61% durante a semana e também caíram na sexta-feira (-3,3%).

Ainda em termos de perdas semanais, o Nasdaq 100 caiu 2,4%, o índice Morgan Stanley para as cotadas da alta tecnologia recuou 2%, o índice para o sector de semicondutores perdeu 1,2% e as biotecnológicas cotadas recuaram 0,8%.

Só na sessão de sexta-feira, as designadas "cinco maiores" do mundo atual da tecnologia - Apple, Alphabet (classe A), Microsoft, Amazon e Facebook, por capitalização bolsista - perderam 97,5 mil milhões de dólares (87 mil milhões e euros). No caso da Amazon, os analistas chamaram a atenção para uma "derrocada súbita" durante a sessão com o valor das ações a cairem 8,2%.

Nas mais importantes tecnológicas cotadas em Nova Iorque apenas a Yahoo e a IBM registaram ganhos semanais de 6,8% e 1,4% respetivamente.

Alguns analistas falam do risco de uma explosão da bolha nas tecnológicas.

Bolsas chinesas ignoram Moody's

O melhor desempenho da semana coube ao índice MSCI para as economias emergentes que subiu 0,39%. Nesses mercados, as bolsas da Nigéria, China – Xangai e Shenzhen - e Vietname registaram os melhores desempenhos semanais, com ganhos acima de 1,5%.

As bolsas chinesas continuam a ignorar o aviso da agência de notação Moody's que cortou em maio o rating da dívida chinesa de duplo A para A1, pela primeira vez em quase três décadas.

A semana registou duas boas notícias na China. As reservas cambiais aumentaram em maio acima das previsões dos analistas e estão há quatro meses consecutivos a subir, tendo fechado o mês passado em pouco mais de 3 biliões de dólares (€2,7 biliões de euros). São as maiores do mundo e valem duas vezes e meia as do Japão, que está em segundo lugar nesse clube. A balança comercial registou um crescimento do excedente comercial. O superavite subiu de 38,3 mil milhões de dólares (34,2 mil milhões de euros) em abril para 40,8 mil milhões (36,4 mil milhões de euros) em maio.