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Juros da dívida portuguesa com descida muito ligeira

Numa semana marcada pela reunião do BCE, os juros da dívida a 10 anos desceram claramente no mercado secundário para as obrigações de Itália, Espanha, Irlanda e Malta. Portugal foi o menos beneficiado pelo 'efeito Draghi'

Jorge Nascimento Rodrigues

Os juros (yields) das Obrigações do Tesouro português a 10 anos foram os que menos desceram esta semana no mercado secundário da dívida soberana entre os periféricos do euro. Fecharam esta sexta-feira em 3,03%, apenas 1 ponto base menos do que há uma semana.

As maiores descidas semanais de juros, naquele prazo de referência, no grupo dos periféricos do euro registaram-se para as obrigações italianas (menos 16 pontos base), espanholas (menos 13 pontos base), irlandesas (menos oito pontos base) e maltesas (menos sete pontos base). No caso da Eslovénia, as yields desceram quatro pontos base e para a dívida helénica as taxas reduziram-se apenas em dois pontos base.

Em virtude da redução muito ligeira dos juros no prazo a 10 anos, o prémio de risco da dívida portuguesa manteve-se sem alteração em relação a uma semana atrás. Fechou em 277 pontos base, o equivalente a um prémio de 2,77 pontos percentuais exigido pelos investidores em relação ao custo da dívida alemã.

Portugal regressa ao mercado obrigacionista na próxima semana com dois leilões de dívida, um deles no prazo a 10 anos.

Uns mais iguais do que outros

O 'efeito Draghi' acabou por beneficiar mais alguns periféricos do que outros, e teve um impacto positivo muito ligeiro nos juros dos títulos portugueses. Na linha da frente do efeito positivo estiveram esta semana Itália e Espanha.

Mario Draghi anunciou na quinta-feira, na conclusão da reunião do conselho do Banco Central Europeu (BCE), a que preside, que o programa de compra de ativos vai continuar - e nomeadamente de aquisição de dívida pública dos membros do euro no mercado secundário - até final do ano e que, em caso de necessidade, pode ser reforçado e prolongado.

Apesar de duas alterações de linguagem na comunicação oficial - retirando do horizonte a menção à possibilidade de mais descidas das taxas diretoras e passando a considerar que os riscos na zona euro estão agora 'equilibrados' e não enviesados negativamente -, o BCE e o seu presidente não deram quaisquer sinais sobre se e quando vai ser descontinuado o programa de compras de ativos, vulgo quantitative easing.

Em virtude do comportamento errático da inflação na zona euro, a política monetária expansionista do BCE é para manter, reafirmou o italiano. E a sua revisão, ainda, não entrou formalmente na agenda das reuniões do conselho.