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Efeito Draghi provoca descida clara nos juros da dívida

Hannelore Foerster/Getty

Garantia de continuação do QE do BCE até final do ano provoca esta quinta-feira descida dos juros nos periféricos do euro, com destaque para Itália, Espanha e França. Mas não foi suficiente para que os juros da dívida portuguesa fechassem abaixo de 3%

Jorge Nascimento Rodrigues

A garantia dada esta quinta-feira por Mario Draghi de que o Banco Central Europeu (BCE), a que preside, mantém o programa de compra de ativos - vulgo quantitative easing (QE) - até final do ano e que a sua eventual descontinuação em 2018 ainda não foi discutida gerou um movimento de descida dos juros da dívida na zona euro.

O presidente do BCE reafirmou o essencial da política monetária expansionista na conferência de imprensa que realizou esta tarde depois de terminar a reunião de dois dias do conselho do banco. O BCE decidiu alterar a linguagem na comunicação em um aspeto da orientação futura, eliminando a referência à possibilidade de descer ainda mais as taxas diretoras, já que o risco de deflação na zona euro se "dissipou".

Mas Draghi não deu quaisquer sinais sobre o futuro do QE ou mesmo quando poderá iniciar a subida das taxas diretoras, que estão em mínimos históricos. Acrescentou, inclusive, que o programa de compra de ativos dispõe da "flexibilidade" suficiente, para em caso de necessidade. ser reforçado ou prolongado.

As maiores descidas no mercado secundário registaram-se para os juros das obrigações italianas, espanholas e francesas, que caíram esta quinta-feira 12, nove e seis pontos base respetivamente. Portugal foi, também, atingido pelo contágio positivo do efeito Draghi, mas os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos não conseguiram fechar abaixo de 3%, apesar de terem descido para 2,98% pelas 14h20 (hora de Portugal). Acabaram por encerrar em 3,03%, menos quatro pontos base do que no dia anterior.

Ainda recentemente um estudo do Citi Research sublinhava a tendência de "sobreaquisição" por parte do BCE no mercado secundário da dívida em relação aos títulos de França e Itália.

Quanto às obrigações britânicas, no dia em que decorreram as eleições legislativas antecipadas, os juros das Gilts (designação das obrigações emitidas pelo Tesouro) a 10 anos subiram de 1% para 1,04%. O mercado da dívida fechou antes de serem conhecidas as primeiras projeções após o fecho das urnas às 22 horas no Reino Unido que apontam para uma vitória sem maioria absoluta do Partido Conservador de Theresa May, a chefe de governo incumbente.