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BCE revê em alta crescimento, mas desce previsão para inflação na zona euro

Mario Draghi anunciou esta quinta-feira em conferência de imprensa após reunião do BCE que a previsão de crescimento para a zona euro deverá ser de 1,9% este ano, uma décima acima da análise em março. Mas a inflação para o ano em curso foi revista em baixa em duas décimas para 1,5%

Jorge Nascimento Rodrigues

O Banco Central Europeu (BCE) reviu esta quinta-feira em alta as previsões de crescimento económico na zona euro até 2019, mas corrigiu em baixa as projeções para a inflação anual no mesmo período.

Mas, mesmo com taxas de crescimento económico revistas em alta, a trajetória na zona euro é de desaceleração entre 2017 e 2019 e, no campo da inflação, o nível de 1,6% em 2019 continua distante da meta oficial de "abaixo, mas próximo de 2%".

A reunião da equipa de Mario Draghi em Tallinn, na Estónia, decidiu manter a política monetária expansionista inalterada, mas procedeu a duas alterações de linguagem na comunicação oficial, que eram esperadas pelos analistas.

A primeira reação foi um movimento geral de descida dos juros da dívida dos membros do euro no mercado secundário.

No quadro macroeconómico, em vez de 1,8%, previsto em março pela equipa técnica do banco, a taxa de crescimento anual deverá ser de 1,9% este ano. Uma boa notícia. No próximo ano desacelera, mas deverá ser de 1,8% em vez de 1,7% e no ano seguinte descerá para 1,7%, mas acima de 1,6% previsto anteriormente.

Quanto à inflação, o indicador fundamental para a política monetária do BCE, as previsões agora divulgadas cortaram duas décimas em 2017, três décimas em 2018 e apenas uma décima em 2019. As novas previsões apontam para 1,5% no ano em curso, 1,3% no ano seguinte e 1,6% no ano final do horizonte das projeções. Há uma perda de dinâmica da reflação (subida contínua da inflação) no próximo ano, mas depois acelera.

Risco de deflação dissipado

Contudo, os riscos de deflação - de inflação negativa - estão totalmente afastados do horizonte de projeções. Mario Draghi, na conferência de imprensa que se seguiu à reunião, sublinhou que "os riscos de deflação foram dissipados".

Foi o facto deste risco ter "definitivamente desaparecido" do radar que levou o BCE a alterar parcialmente a sua orientação futura sobre taxas de juro diretoras, eliminando do comunicado a possibilidade de serem descidas no atual horizonte. "Não esperamos taxas de juro mais baixas. Mas se a situação piorar, o BCE poderá cortá-las se necessário", frisou Draghi.

Dinâmica da inflação impõe cautela

A confirmação da dinâmica de retoma convenceu o BCE a fazer outra mudança na comunicação passando a considerar que os riscos estão agora "equilibrados" na zona euro e que os riscos predominantes são provenientes de "factores globais".

Contudo, continua a faltar "uma dinâmica mais forte" na inflação, sublinhou o presidente do BCE. Por isso, referiu que "temos de ser pacientes" quanto aos resultados, mas, também, "persistentes e confiantes" na política definida.

Descontinuação do QE não foi discutida

Esta reunião em Tallinn não discutiu qualquer processo de 'normalização' da política monetária, e Draghi não deu, por isso, sinais sobre o processo de descontinuação das medidas não convencionais designadas por quantitative easing (QE). O programa de compra de ativos vai seguir ao ritmo mensal definido (de €60 mil milhões) até final do ano. Apenas dois membros do conselho fizeram observações sobre o processo de 'normalização', mas a questão não esteve na agenda, disse Draghi.

O italiano referiu que a orientação não foi formalmente votada, mas que não se manifestaram vozes dissonantes. A própria salvaguarda de que o QE é suficientemente "flexível", foi sublinhada por Draghi, o que leva o BCE a manter a estratégia de comunicação que "se as perspetivas passarem a ser menos favoráveis ou se as condições financeiras deixarem de ser consistentes com uma evolução no sentido de um ajustamento sustentado da trajetória de inflação, o Conselho do BCE está preparado para aumentar o volume e/ou a duração do programa [de aquisição de ativos]".

No entanto, Draghi não deixou de dar um recado. "Certamente que os países [membros do euro] que tiverem uma posição orçamental mais fraca e uma implementação de reformas estruturais mais baixa serão mais afetados" quando houver alterações da política monetária.