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BCE não mexe na política expansionista, mas diz que não prevê baixar mais os juros

STEPHANIE LECOCQ / EPA

O Banco Central Europeu decidiu esta quinta-feira não alterar as taxas de juro e reafirmar o quadro de política monetária não convencional. Eliminou a referência à possibilidade de taxas de juro mais baixas

O Banco Central Europeu (BCE) comunicou esta quinta-feira que não mexeu no quadro de política monetária, convencional (taxas diretoras) e não convencional (programas de compra de ativos). Mudou parcialmente a linguagem de comunicação no que respeita à orientação futura.

Na reunião realizada, desde quarta-feira, em Tallinn, na Estónia, o Conselho do BCE decidiu manter inalteradas em mínimos históricos a taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento, que está em 0%, e as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de cedência de liquidez, em 0,25%, e a taxa negativa de remuneração dos depósitos dos bancos, em -0.40%.

A equipa de Mario Draghi manteve grande parte do discurso sobre as taxas de juro de referência, reafirmando que espera que "permaneçam nos níveis atuais durante um período alargado e muito para além do horizonte das compras líquidas de ativos". Ou seja, não alterou a perspetiva de sequenciação em um futuro abrandamento da política monetária expansionista - o quadro de juros só é mexido depois da desativação dos programas de aquisição de ativos, vulgo quantitative easing.

No entanto, eliminou a referência à possibilidade de taxas de juro mais baixas, se necessário, uma precaução que era mantida em declarações anteriores. Elas encontram-se em mínimos históricos e a taxa negativa de remuneração dos depósitos tem sido muito contestada. Esta alteração está a ser encarada pelos analistas como um primeiro passo do BCE no sentido de uma 'normalização' futura da política monetária.

No que respeita às medidas de política monetária não convencionais, o BCE confirma que "pretende que as compras líquidas de ativos, ao atual ritmo mensal de €60 mil milhões, prossigam até ao final de dezembro de 2017, ou até mais tarde, se necessário, e, em qualquer caso, até que o Conselho do BCE considere que se verifica um ajustamento sustentado da trajetória de inflação, compatível com o seu objetivo para a inflação".

Manteve também na comunicação ao mercado que "se as perspetivas passarem a ser menos favoráveis ou se as condições financeiras deixarem de ser consistentes com uma evolução no sentido de um ajustamento sustentado da trajetória de inflação, o Conselho do BCE está preparado para aumentar o volume e/ou a duração do programa [de compra de ativos]".

O foco vira-se, agora, para a conferência de imprensa do seu presidente Mario Draghi, pelas 13h30. A atenção estará virada para as novas previsões económicas a apresentar pela equipa técnica do BCE e para uma mudança de comunicação sobre os riscos que afetam a zona euro.

  • A maioria das praças financeiras europeias abriu esta quinta-feira com ganhos, depois de três sessões em queda. Principal índice da bolsa londrina está abaixo da linha de água. PSI 20, em Lisboa, regista perdas e MIB em Milão também. Sessão europeia marcada pelas eleições britânicas e reunião do BCE