Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

SIBS está à venda

Luís Coelho

A SIBS, a empresa que gere os pagamentos multibanco em Portugal, está à procura de um parceiro estratégico internacional, revelou o presidente não executivo, Vítor Bento

Nicolau Santos

Nicolau Santos

Diretor-Adjunto

“Neste momento ainda não há um modelo definido”, frisou, o que quer dizer que a operação tanto pode ficar pela entrada de um parceiro para o capital da SIBS como pelo seu total controlo por um investidor estrangeiro. Quanto ao parceiro, não há qualquer restrição, “desde que a sua natureza esteja alinhada com o negócio”. Bento admite que a SIBS tem sido assediada desde há dois anos por investidores estrangeiros, nomeadamente “players” da indústria ou fundos de investimento. “As ‘fintechs’ estão na berra e têm sido compradoras”, acrescentou.

Brevemente será iniciado o processo de consulta ao mercado para escolha desse parceiro estratégico, que vai passar por várias fases até à solução final. “Não há nenhuma urgência no processo, não sendo de esperar a sua conclusão antes do final do ano”, disse.

Até lá, “a empresa prosseguirá normalmente a sua estratégia e a sua atividade, visando o desenvolvimento do seu negócio”, acrescentou. Nesse quadro, mantém-se a proposta de compra da rede da Unicre, que aguarda a decisão da Autoridade da Concorrência.

Para a execução da operação, a SIBS contará com um assessor financeiro que, segundo Vítor Bento, “deverá ser o Deutsch Bank”, embora o acordo ainda não tenha sido formalizado.

Os accionistas da SIBS, que são todos os bancos que operam em Portugal, decidiram dar este passo devido ao facto do negócio de pagamentos estar “em profunda transformação”. O mercado único bancário vai levar a um mercado único de pagamentos, um movimento que “tem vindo a ser acelerado pela Comissão Europeia, pelo BCE e pelo Parlamento Europeu”, que deste 2005 apontam para esse objetivo, sublinhou Vítor Bento.

Por outro lado, a evolução tecnológica “tem vindo a criar uma maior diversidade de soluções para os pagamentos”, com a entrada no mercado das empresas de telecomunicações, a Google, a Amazon e outras, ao mesmo tempo que os consumidores estão a utilizar crescentemente “novas formas de pagamentos” – e a SIBS tem de se preparar para esses desafios, concluiu.