Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Mexia diz que a EDP não recebeu benefícios do Estado

Luís Barra

O presidente da EDP garante que o processo em que está envolvido, não é novo, “já tem décadas”, e que as contas da empresa foram sempre escrutinadas pelo Governo e por Bruxelas

António Mexia, presidente da EDP, disse hoje em conferência de imprensa que o processo em que agora se vê envolvido como arguido já têm décadas e que foi escrutinado “por vários governos, pelo parlamento e pela Comissão Europeia".

O gestor lembrou que esta investigação teve origem numa denúncia anónima em Bruxelas, há quatro anos mas, assegura, "a Comissão Europeia arquivou os processos". E garante que tudo foi feito de forma “adequada”.

Mexia recordou que há dois temas principais em causa que dizem respeito a dois momentos distintos. O primeiro, referiu, diz respeito aos contratos de aquisição de energia (CAE) e o segundo aos contratos de manutenção de equilíbrio contratual (CMEC), sendo que o primeiro foi criado em 1995. Recordou que na altura o Estado fixou uma rentabilidade garantida, mas fez questão de frisar que a EDP cumpriu com a lei relativamente àqueles contratos e que até ficou a perder.

Na conferência de imprensa, em que também esteve presente o presidente da EDP Renováveis, João Manso Neto, outro dos arguidos no inquérito a eventuais crimes de corrupção e participação económica em negócio na área da energia, Mexia realçou que a atualização dos parâmetros de mercado, em 2007, reduziu em 75% o valor inicial dos CMEC e aumentou em 56% o valor entregue pela EDP ao Estado pelo domínio público hídrico.

"Não houve nenhum benefício em nenhuma das fases aqui referidas", sublinhou, considerando que "a EDP não pode aceitar com ligeireza que se ponha em causa o bom nome das pessoas e sobretudo o desempenho da companhia ao longo de décadas".

O presidente da EDP frisou ainda que “não se pode pôr em causa o bom nome" da empresa, para acrescentar logo a seguir: “se pondero a minha demissão? Não”. António Mexia disse que as decisões de gestão foram sempre colegiais, considerando que a sua saída da empresa só a iria enfraquecer.