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Bancos continuam vulneráveis apesar de melhorias

A estimativa de crescimento da economia é um factor positivo para a banca refere o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal de junho de 2017. Mas não chega. As vulnerabilidades dos bancos ainda são estruturais

O Banco de Portugal, no seu Relatório de Estabilidade Financeira de junho, destaca que, embora as estimativas de crescimento da economia sejam positivas, a banca ainda tem muitos desafios e problemas para resolver. Ainda se debate com um elevado nível de créditos em incumprimento (NPL) e ativos não produtivos - nomeadamente no setor imobiliário -, uma fraca rentabilidade e com o facto de as taxas de juro se manterem a níveis baixos pelo menos até meados de 2019. Ingredientes que colocam ainda alguns riscos para o setor. E que a somar a estes enuncia ainda maiores exigências de regulação.

O relatório realça um cenário positivo para a situação de alguns bancos, referindo estarem hoje mais capitalizados, e dá mesmo o exemplo da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, do acordo firmado para a venda do Novo Banco e do aumento de capital do BCP através da entrada de um novo acionista e também do BPI no que diz respeito à redução da sua exposição ao Banco de Fomento Angola e o controlo do CaixaBank no banco.

O supervisor dá nota positiva ao facto de ter havido progressos no que toca à redução do endividamento das empresas e das famílias, mas vai estar de olho na concessão de novos créditos, sobretudo à habitação para evitar que as instituições venham a assumir maiores riscos agora que a economia dá sinais de crescimento. Uma preocupação que se prende com o facto de haver novas regras sobre a contabilização de provisões e imparidades, já a partir de 1 de janeiro de 2018, que irão exigir que os bancos assumam o risco de os empréstimos correrem mal mais cedo do que era exigido até agora. Ou seja, haverá necessidade dos bancos criarem uma almofada de capital para os novos créditos, uma vez que a economia pode desacelerar e as novas regras exigem que em conjunturas de crescimento sejam criadas almofadas para adequar o balanço dos bancos a uma eventual desaceleração do crescimento.

No fundo, o Banco de Portugal quer evitar que a história dos créditos problemáticos se repita no futuro. Até porque os bancos ainda estão a limpar este tipo de créditos. As instituições têm por isso de ser criteriosas na concessão de empréstimos.

O Banco de Portugal refere que as empresas estão mais capitalizadas e menos endividadas do que estavam no passado, tendo havido melhorias de reajustamento decorrentes também das exigências feitas à banca.

Mas também diz que a poupança dos particulares está a níveis muito baixos, apesar de os depósitos dos portugueses se manterem estáveis.

O relatório o Banco de Portugal aponta para vulnerabilidades e riscos que enumera. "Embora as perspectivas para a economia tenham melhorado e pareça existir uma perceção mais favorável dos investidores internacionais relativamente à situação orçamental, económica e ao sector bancário em Portugal, o elevado endividamento do setor público e do sector privado e o baixo crescimento potencial continuam a colocar riscos para a estabilidade financeira". Contudo, o stock de crédito às empresas e às famílias caiu em abril, respetivamente, 7% e 1,8% em termos homólogos.

O Banco de Portugal afirma que "o elevado nível de ativos não produtivos, a fraca rentabilidade e a exposição ao soberano e a economias de mercado emergentes com quebra de atividade tendem a agravar a perceção dos investidores acerca da qualidade ativos das instituições de crédito e, desta forma,a condicionar o acesso aos mercados financeiros internacionais". E, isto, porque no futuro, quando os bancos tiverem de ir ao mercado estes ativos, a existirem (como existem mais para uns bancos do que para outros), serão um peso no custo de financiamento.