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O único golfe a abrir em Portugal em 2017 está concluído em Óbidos

A vista do mar em cada um dos 18 buracos é um trunfo do novo campo West Cliffs, que se propõe consolidar a zona oeste de Lisboa como destino de golfe

DR

O West Cliffs é o segundo campo de golfe do complexo Praia d' El Rey, onde o número de voltas atingiu no ano passado 38 mil, e vai abrir a 11 de junho

Já está concluído o novo campo de golfe West Cliffs, que será o segundo do 'resort' turístico Praia d' El Rey em Óbidos, e irá abrir em 'soft opening' a 11 de junho, estando a sua inauguração oficial agendada para 23 de junho.

Os jogadores vão poder ver o mar em todos os 18 buracos do campo West Cliffs, que foi desenhado como um 'links course' -um tipo específico de golfe caraterizado pela paisagem com dunas e junto à costa, e sujeito a regras ambientais próprias, como a escassa movimentação de terras e a preservação da paisagem natural.

O novo campo em Óbidos é também o primeiro no país a ostentar a assinatura do gabinete de Pete Dye, considerado um dos mais influentes arquitetos de golfe das última décadas. O projeto foi desenhado por Cyntia Dye, sobrinha do arquiteto norte-americano e que trabalha para o seu gabinete.

Praia d' El Rey é o campo com melhores resultados a norte do Algarve

Aguardado com expectativa pelo mercado, o campo West Cliffs é o único golfe que vai abrir em Portugal em 2017. "E nos últimos três anos também não abriram campos de golfe no país", faz notar Alexandre Barroso, diretor comercial do West Cliffs. Apesar do investimento surgir em contraciclo no país, o responsável considera que "faz todo o sentido para nós, estamos confiantes que irá trazer mais mercado externo e consolidar o destino de golfe a oeste de Lisboa com mais um campo de grande qualidade".

O campo de golfe existente em Praia d' El Rey, com 18 buracos, já é atualmente o que atinge melhores resultados a norte do Algarve. Segundo Alexandre Barroso, em 2016 o número de voltas subiu para 38 mil, na sua maioria asseguradas por estrangeiros, sobretudo escandinavos, alemães e ingleses.

Para 2017, e já com dois campos de 18 buracos a funcionar (embora o West Cliffs não tenha a operação completa, pois só abre em junho), a previsão é de fechar o ano com 47 mil voltas.

"Já estamos nesta altura com um crescimento de 5 mil voltas comparando com igual período do ano anterior. Em meses como setembro, outubro e dezembro o West Cliffs já tem mais reservas de voltas que o Praia d' El Rey", adianta o diretor comercial, chamando a atenção para o interesse que o novo campo português já está a despertar junto dos operadores turísticos e do mercado.

O campo West Cliffs será o quinto na zona de Óbidos, juntando-se assim ao Praia d'El Rey, o Bom Sucesso e o Royal Óbidos, que ficam a cinco minutos de distância uns dos outros (na região também existe o campo Real, mas já a meia hora de distância). Os campos de golfe em Óbidos já funcionam em rede, tendo pacotes comuns e o cartão Ace (que permite fazer voltas em todos os campos), além de transferes gratuitos para os jogadores se deslocarem entre os vários 'greens', dado o gosto dos praticantes da modalidade de conhecer e jogar em diferentes campos.

Os campos de golfe da zona oeste de Lisboa registaram no ano passado um crescimento de 9%, atingindo 88 mil voltas. Segundo Alexandre Barroso, contando com os 177 quartos do hotel Praia d' El Rey e os 39 quartos do hotel Royal Óbidos, "as camas que existem na região começam a ser poucas para ter os quatro campos cheios, com esta aposta que está a ser feita no golfe".

Melhor destino de golfe do mundo "tem de ter mais jogadores nacionais para ser sustentável"

Portugal tem atualmente 90 campos de golfe, geradores de 2 milhões de voltas anuais, 82% dos quais de estrangeiros, segundo o Conselho Nacional da Indústria de Golfe (CNIG). Esta indústria é geradora de 120 milhões de euros anuais em receitas, calculando-se em 420 mil o volume de turistas que todos os anos vem a Portugal especificamente com a motivação do golfe.

Portugal foi eleito o "melhor destino de golfe do mundo" em 2016, e pelo terceiro ano consecutivo, no âmbito dos World Golf Awards, considerados os 'óscares' da modalidade.

Segundo a Federação Portuguesa de Golfe, um dos desafios que se coloca ao sector para tornar a indústria "sustentável" é alargar a base de jogadores nacionais. "O golfe é uma indústria exportadora muito importante para o país, sendo maioritariamente praticada por estrangeiros", refere Miguel Franco de Sousa, presidente da Federação Portuguesa de Golfe.

"Mas se não crescer em jogadores nacionais nos próximos 10 a 12 anos, esta indústria corre o risco de não ser sustentável", adverte o presidente da Federação Portuguesa de Golfe.

Em Portugal, o número de jogadores federados até subiu 6,7% em 2016, para 14,9 mil, o que significa que só no ano passado se registou um aumento de 900 praticantes nacionais de golfe.

Multiplicar por cinco a base de jogadores nacionais é um dos grandes projetos que está à mesa da Federação Portuguesa de Golfe, envolvendo medidas em várias frentes, Segundo Miguel Franco de Sousa, o facto de o IVA do golfe ser sujeito á taxa máxima de 23% "é um dos problemas do país face à concorrência crescente de outros destinos e que o Governo devia rever, para não enfrentarmos uma situação de ver campos a entrar em insolvência ou vagas de despedimentos neste sector".

Segundo Miguel Franco de Sousa, num futuro próximo a indústria também terá se de adaptar a novas realidades de jogo mais adaptadas aos tempos atuais e evoluír para campos de 12, 9 ou mesmo seis buracos. "O golfe não está adaptado à realidade atual, ainda é visto como um jogo elitista, difícil e caro", constata o presidente da federação de golfe, defendendo a criação de alternativas de jogo mais rápido e barato, capazes de atraír também mais mulheres e crianças, "tal como ir ao cinema". Como frisa o responsável, tirando os turistas que estão em férias, "ninguém hoje em dia tem tempo para demorar cinco horas a fazer um jogo em 18 buracos e com a maioria dos campos fora dos centros".