Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Lisboa vai ter 32 novos hotéis até 2018 e a região do Porto mais 19

O crescimento turístico em Lisboa está a aguçar o apetite para a abertura de hotéis

Luí­s Barra

O ritmo de abertura de hotéis no país está ao rubro este ano e no próximo. Até maio, já abriram em Portugal 11 hotéis

O crescimento turístico em Portugal está a ter reflexos diretos no 'apetite' dos investidores. Segundo dados recolhidos pela Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), há 41 novos hotéis previstos para abrir no país em 2017, a que se acrescem mais 42 em 2011, e só até maio deste ano já abriram 11 hotéis a nível nacional.

O destaque vai para a região de Lisboa, onde irão surgir 14 novos hotéis em 2017, além de mais 18 no próximo ano, o que perfaz um total de 32 novas unidades. Sem contar com a região envolvente, só na cidade irão abrir 7 novos hotéis em 2017 e 15 em 2018, segundo a associação de hoteleiros.

Até maio deste ano já abriram três hotéis na região de Lisboa, como o 1908 Lisboa Hotel, que resulta de uma profunda reabilitação de um edifício histórico no Largo do Intendente e se propõe criar nesta zona da cidade uma nova centralidade turística.

Lisboa também se destaca pelo maior volume ao nível de remodelação ou reabertura de unidades hoteleiras. Segundo os dados recolhidos pela associação de hoteleiros, em 2017 serão requalificados quatro hotéis (num total de 16 em todo o país) e em 2018 outros quatro (num total de seis remodelações previstas a nível nacional).

O Porto segue Lisboa em ritmo igualmente acelerado. De acordo com a AHP, estão previstos 19 novos hotéis na região Porto e Norte até 2018, dos quais 10 unidades já com abertura prevista para 2017. Só na cidade do Porto, irão surgir sete hotéis este ano e mais seis no próximo.

Mais 7 hotéis na Madeira e 15 na região Centro

A dinâmica de abertura de hotéis estende-se a outras regiões do país. Na região Centro, prevê-se a inauguração de mais 10 hotéis em 2017, a que se somam mais cinco em 2018.

Também na Madeira se preveem mais unidades, embora a um ritmo mais parcimonioso, tendo em conta que se trata de um destino mais maduro em termos de oferta hoteleira. Na Madeira estão previstos três novos hotéis em 2017 e quatro em 2018.

No Algarve, há seis novos hotéis em 'pipeline' para este ano e o próximo. No Alentejo há quatro hotéis previstos até 2018, e relativamente aos Açores a AHP não tem registo de novos hotéis para abrir em 2017 e 2018.

No ano passado abriram em Portugal 33 hotéis, dos quais 10 na região de Lisboa e oito na região Porto e Norte, 5 no Algarve e 3 nos Açores — além de mais três na região Centro e um na Madeira, segundo as contas da AHP.

Face ao crescimento da oferta hoteleira prevista em Lisboa, a AHP alerta para o "problema" do estrangulamento que se perfila no aeroporto de Lisboa, já à beira do limite de capacidade.

"O aeroporto de Lisboa vai esgotar em 2018, e temos aqui um problema", frisa Raul Martins, presidente da Associação da Hotelaria de Portugal, lembrando que o aeroporto de Lisboa teve "um crescimento brutal" de 22% em passageiros no primeiro trimestre de 2017, ajudando os hotéis a um aumento de 12,8% nas taxas de ocupação.

Encher as camas dos novos hotéis que vão abrir em Lisboa, com o aeroporto da Portela já no limite, representa uma preocupação para os hoteleiros. "Até 2020, quando o Montijo ficar operacional, vai ter de haver uma solução", salienta o presidente da AHP.

Já hoje são visíveis as limitações no aeroporto de Lisboa, onde se estão a recusar autorizações para novos voos em certas faixas horárias ('slots') devido à falta de capacidade. "Já foi recusado em Lisboa um segundo voo semanal da Emirates para o Dubai e também um voo da Aeroflot", salienta Raul Martins.

Segundo a AHP, a solução temporária para estender a capacidade do aeroporto da Portela até 2022 passa por a TAP fazer do Porto o seu 'hub' para voos intercontinentais, aliviando assim Lisboa. "Estamos a insistir para que a TAP reveja a sua operação neste sentido. Muitos dos passageiros que desembarcam em Lisboa não ficam em Lisboa, seguem para outros destinos, o que cria carga ao aeroporto. Os voos da TAP só interessam ao turismo com os passageiros a saír em Lisboa", sublinha Raul Martins. "Face ao crescimento turístico e da oferta hoteleira previsto em Lisboa, a situação do aeroporto é uma nuvem".