Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Alta de Lisboa vende 120 casas em duas semanas

Imagem 3D de como irá ficar o projeto cuja conclusão está prevista para outubro de 2018

Preços em saldo e escassez de oferta na cidade dão novo impulso a projeto de Stanley Ho

Depois de anos de marasmo, a Alta de Lisboa parece ter voltado, em grande, às vendas de casas. A falta de oferta nova no mercado a preços acessíveis às bolsas dos clientes nacionais parece ser a principal razão para uma autêntica corrida aos apartamentos em venda: do Condomínio do Lago, lançado a 16 de março passado com um total de 172 unidades de várias tipologias em venda, apenas restam cerca de 20 unidades. E o próximo projeto já tem uma lista de espera com mais de 500 interessados.

“E só nas primeiras duas semanas foram vendidas 120 unidades. A verdade é que não existe oferta nova na gama de preços que nós praticamos e para o tipo de produto que temos”, diz Miguel Lobo, diretor comercial da Sociedade Gestora da Alta de Lisboa (SGAL).

Uma busca rápida à oferta existente nos portais de imobiliário permite constatar que assim é: um T1 usado no Lumiar, a apenas cinco minutos de carro da Alta de Lisboa, pode chegar aos 150 mil, quando um idêntico a estrear, está a ser promovido pela SGAL por €119 mil.

Valores em saldo que tentam combater a má fama que o bairro ganhou devido à vizinhança problemática do bairro social para onde foram realojadas as famílias carenciadas da antiga Musgueira.

Miguel Lobo desvaloriza, lembrando que muito mudou desde os primeiros anos do projeto, lançado formalmente em 1984 mas efetivamente no terreno a partir da década de 90 (ver caixa): “Nos primeiros tempos tínhamos aqui 3000 residentes e 12 mil realojados, agora são mais de 16 mil residentes para o mesmo número de realojados. A escala é outra por isso as coisas mudaram. E, no fundo, assim se faz Lisboa que é um conjunto de várias áreas residenciais intercaladas com bairros sociais. Veja-se Alvalade, por exemplo — há 40 anos era uma zona de bairro social e hoje estas casas valem uma fortuna.”

Os compradores são maioritariamente jovens casais, portugueses, que querem estar em Lisboa e a dois passos do metro. “Diria que 70% dos nossos clientes desejam a casa para habitar e 30% para investir, sendo que nesta fatia dos investidores a esmagadora maioria são pessoas que estão a investir a longo prazo, para colocar no mercado de arrendamento.”

O edifício Smart, o primeiro de seis lotes do condomínio do Lago (assim chamado pela sua localização junto ao parque de lazer) estava parado desde 2008. As obras foram retomadas este ano e a sua conclusão está prevista para outubro de 2018. As famílias esgotaram rapidamente as tipologias T2 e T3 e neste momento os 20 apartamentos ainda disponíveis são apenas os T1 (de maiores dimensões).

Com a procura a bom ritmo e a reboque do financiamento do Millennium BCP, a SGAL prepara-se já para lançar em setembro o segundo lote do condomínio do Lago com mais 150 unidades e para os quais já tem uma lista de espera com cerca de 500 interessados.

30% da capacidade
residencial construída

Em preparação para 2018 está também uma mudança de estratégia para promover o espaço, como adianta Miguel Lobo. “A Alta de Lisboa tem uma área maior que muitas cidades. É maior do que Coimbra, por exemplo. E é verdade que estrategicamente tínhamos assumido toda a operação, mas agora vamos chamar outros promotores nacionais e internacionais. Para isso vamos redimensionar os projetos a outra escala, mais adequada ao atual momento vivido pelos promotores nacionais que ainda estão condicionados pelo financiamento.”

A missão assumida por Stanley Ho no início do projeto passava por um investimento global de €1500 milhões para a construção de 15 mil fogos e diversos equipamentos que transformassem esta zona de Lisboa numa espécie de minicidade.

Dos 15 mil fogos acordados com a autarquia na década de 90, foram edificados até agora pouco mais de 30% — 4800 casas.

Mas, segundo este responsável da SGAL, cerca de 80% das infraestruturas acordadas com a autarquia de Lisboa já foram construídas. Entre estas contam-se por exemplo escolas, uma igreja, o centro de apoio comunitário, o estádio da Alta de Lisboa ou a pista de atletismo Moniz Pereira (sob a alçada da autarquia) e ainda uma esquadra de polícia e um quartel de Sapadores de Bombeiros, entre outros equipamentos.