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“Há euforia excessiva no mercado imobiliário”

A zona do Estoril é a mais cara do país, com o metro quadrado do produto novo a rondar os €12.000

António Pedro Ferreira

Porta-voz dos promotores imobiliários lembra que é preciso garantir sustentabilidade ao sector

João Bénard Garcia

“Há euforia excessiva no mercado imobiliário.” O aviso foi lançado por Hugo Santos Ferreira, secretário-geral da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), durante a conferência realizada esta semana em Lisboa pela consultora imobiliária Quintela & Penalva — Real Estate para celebrar os seus 13 anos de fundação.

Na mesa-redonda para discutir “a importância do sector imobiliário para a captação de investimento direto estrangeiro” estiveram, além dos cofundadores da empresa — Francisco Quintela e Carlos Penalva —, um economista, João Duque, e Hugo Santos Ferreira, da APPII, que abriu o debate com um aviso aos presentes: “Há euforia excessiva. Não há bolha imobiliária, mas há euforia em 20 ruas, e estamos num ciclo que devemos tentar controlar e estender. Pode vir abaixo dentro de dois, três ou quatro anos, e o nosso desafio é que o mercado imobiliário fique sustentável e aguente mais tempo.”

O outro convidado da consultora, João Duque, professor de Finanças e Economia e presidente do ISEG, desmistificou os bons resultados económicos que o atual Governo anda a assumir como sendo da sua responsabilidade. “Atenção, que tudo isto pode arrefecer. O drive da economia não está em Portugal, é externo. O verdadeiro motor da nossa economia chama-se choque externo. E assim como veio também desaparece a qualquer momento. Tornar Portugal mais atrativo faz de nós sobreviventes e cria resiliência face a uma perda da dinâmica.” O economista acredita que “estamos a viver uma primavera no imobiliário”, facto que se manterá “até os preços ficarem em harmonia com o que será a maturidade do mercado”.

Hugo Santos Ferreira também mostrou estar atento a mitos que se estão a gerar no mercado imobiliário: “Temos em muitos sítios preços acima da média, mas não se deve ficar com a ideia de que a média são os €12.000/m2 que se praticam no Estoril, a zona mais cara do distrito de Lisboa, mas antes que €6000 ou €7000 é um preço normal em certas ruas e que há apartamentos que custam €9000 a €10.000/m2 na Avenida da Liberdade.”

Francisco Quintela, sócio da Quintela & Penalva, assumiu que “Lisboa está a atingir picos de valorização que dificilmente poderão ir mais longe”. E deixou alguns exemplos: “Bairros que não tinham interesse, como o Intendente, têm agora imóveis a €6000/m2”, estando também a mudar o tipo de operações e tipologias das habitações. “Hoje faz-se mais short rental [arrendamento curto] e estamos a colocar no mercado mais apartamentos T0 e T1”, sublinhou.