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Dívida. Juros em alta para Itália e Eslovénia. Portugal lidera descidas na semana

Juros das Obrigações portuguesas fecham em 3%. Prémio de risco da dívida italiana aproxima-se dos 2 pontos percentuais. Eslovénia, Grécia e Itália no radar

Jorge Nascimento Rodrigues

Os juros dos títulos italianos e eslovenos a 10 anos foram os que mais subiram esta semana no mercado secundário. Os que mais desceram, no mesmo período e naquele prazo de referência, foram os juros das Obrigações do Tesouro português (OT). O prémio de risco da dívida italiana subiu para 199 pontos base esta sexta-feira, um salto de 22 pontos em relação ao encerramento a 26 de maio. O prémio de risco da dívida portuguesa desceu para 277 pontos base no fecho da semana.

Portugal continua a marcar o mercado secundário da dívida soberana da zona euro registando as maiores descidas. Os juros das OT no prazo de referência caíram de 3,15% a 26 de maio para 3,04% a 2 de junho. Nos dias 1 e 2 de junho chegaram a registar descidas para níveis abaixo dos 3%. O prémio de risco da dívida portuguesa desceu de 282 para 277 pontos base durante a semana.

O prémio de risco mede a diferença entre o custo de financiamento da dívida alemã – que serve de referência na zona euro – e o relativo a outro membro do euro. Cada 100 pontos base equivalem a 1 ponto percentual de diferença. Deste modo, o atual prémio exigido pelos investidores para comprarem dívida portuguesa a 10 anos é de cerca de 2,8 pontos percentuais. Em termos comparativos, para a Grécia é de quase 6 pontos percentuais, para Espanha é de 1,3 pontos percentuais e para Itália é de quase 2 pontos percentuais.

Esta semana o jornal norte-americano The Wall Street Journal titulava que Portugal é "a estrela surpreendente" do mercado da dívida da zona euro e o jornal alemão Handelsblatt entrevistou o primeiro-ministro António Costa destacando que "ignorar a Alemanha rendeu".

Eslovénia, Grécia e Itália no radar

Em contraste com a tendência de baixa nos juros e no prémio de risco para Portugal, quatro periféricos do euro viram a sua situação agravar-se durante a semana, com destaque para a Eslovénia e a Itália.

A Eslovénia lançou em maio uma nova linha de obrigações de referência no prazo a 10 anos e viu a taxa paga aos investidores dar um salto, com as yields no mercado secundário a subirem 27 pontos base fechando em 1,22%. O país atravessa alguma instabilidade governamental depois da ministra das Finanças Mateja Vranicar Erman ter apresentado, esta semana, a sua demissão em protesto pelo adiamento da privatização no mercado de 50% do maior banco do país, o Nova Ljubljanska Banka (NLB), segundo a Reuters. O pedido não foi aceite, mas a crise política está instalada.

Itália continua no radar dos investidores em virtude da situação do sector bancário, apesar do alívio obtido esta semana com o acordo de princípio com a Comissão Europeia para a recapitalização do banco Monte dei Pasch di Siena, e da perspetiva de eleições legislativas antecipadas no outono, com um resultado incerto para a permanência do país no euro.

Os juros relativos aos títulos italianos aumentaram 16 pontos base encerrando em 2,26%. O custo de segurar a 5 anos a dívida italiana contra o risco de incumprimento - através dos designados credit default swaps - subiu 16 pontos base durante a semana, a maior subida nos periféricos do euro. A dívida obrigacionista transalpina continua a ser a que regista o retorno negativo mais elevado na zona euro, medido desde início do ano. Segundo o índice da Bloomberg, o retorno caiu, esta semana, para -1,52% face a uma média de -0,34% para a zona euro e uma subida para 6,64% (retorno positivo) para Portugal.

Os juros das obrigações espanholas subiram quatro pontos base e os dos títulos gregos aumentaram três pontos base. Espanha está a ser marcada pela crise do Banco Popular, que, esta semana, registou uma derrocada em bolsa de 38%, e corre o risco de uma resolução. A Grécia continua, também, no radar em virtude da incerteza sobre a decisão que possa vir a ser tomada na reunião do Eurogrupo de 15 de junho.

Os juros das obrigações da Irlanda e de Malta desceram três e dois pontos base respetivamente.

O prémio de risco da dívida eslovena subiu 33 pontos base, mas continua abaixo de 100 pontos base. No caso de Itália, como já referido, o prémio subiu 22 pontos base e está à beira de alcançar o patamar dos 200 pontos. No caso de Espanha, o prémio subiu 10 pontos base para 132 pontos e para a Grécia o aumento foi de sete pontos base fechando em 584 pontos, o mais elevado entre os periféricos do euro.

Agenda carregada em junho

O mês de junho em relação à zona euro vai ficar marcado pela reunião do Banco Central Europeu já na próxima quinta-feira (onde não se espera alteração das medidas de política monetária, mas se analisará à lupa a linguagem da comunicação oficial e de Mario Draghi na conferência de imprensa), pelas eleições legislativas em duas voltas em França (onde a incógnita é saber se o novo presidente obtêm uma maioria parlamentar), pela reunião do Eurogrupo (finalmente decisão sobre a Grécia ou novo adiamento com consequências graves), pela segunda estimativa sobre a inflação em maio na zona euro (confirmando ou não a descida para 1,4%) e pela cimeira europeia, após as eleições britânicas e a rutura protagonizada pela Administração Trump.

Como fatores exógenos com potencial impacto na zona euro contam-se as eleições legislativas antecipadas no Reino Unido na próxima quinta-feira, dominadas pela incerteza se a atual primeira-ministra conseguirá uma maioria, e a reunião da Reserva Federal norte-americana, com o mercado de futuros a apontar para uma probabilidade de´95% em que a equipa de Janet Yellen subirá as taxas em 25 pontos base para o intervalo entre 1 e 1,25%. Há um mês a probabilidade era de 68%.