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Comboios a abarrotar: mais 2,3 milhões de passageiros de janeiro a abril

Estoril: comboio que faz a ligação Lisboa-Cascais

Nuno Fox

Receitas da CP aumentaram 4,8 milhões de euros nos quatro primeiros meses de 2017, devido ao crescimento do número de passageiros, que atingiu os 39 milhões de pessoas até ao final de abril. Comboios circulam no máximo da sua capacidade

Os comboios vão cheios. A abarrotar. E é assim em quase todas as linhas. No norte, de Aveiro para Lisboa. Nos principais comboios regionais. E nos serviços urbanos do Porto e de Lisboa, com maior expressão nas linhas de Sintra e de Cascais. Só nos primeiros quatro meses de 2017, a CP transportou mais 2,3 milhões de passageiros que em igual período do ano passado, revelou ao Expresso.

Até ao final de abril utilizaram os comboios da CP cerca de 39 milhões de passageiros, o que significa um crescimento de 6,3% face aos 36,6 milhões de pessoas transportadas pelos comboios da CP em igual período de 2016.

Os números ainda são mais sonantes do lado das receitas. Diz a CP que os seus proveitos de tráfego registaram um crescimento ainda maior, porque encaixaram receitas de 4,8 milhões de euros de janeiro a abril de 2017, o que corresponde a um crescimento de 6,9% quando comparado com os proveitos homólogos de 2016.

Nos comboios de longo curso, Alfa Pendular e Intercidades, a variação no número de passageiros registou um crescimento de 7,2%, relativo ao transporte de 1,8 milhões de passageiros, informa a CP.

26,4 milhões de passageiros na Grande Lisboa

Mas a maior operação da CP é a dos comboios urbanos de Lisboa, que registaram um crescimento de 6,6% tendo transportado 26,4 milhões de passageiros. Comparando com a operação dos comboios Urbanos do Porto, nota-se um crescimento menor, de 5,7%, para uma dimensão quase quatro vezes inferior à de Lisboa, que registou 7,1 milhões de passageiros na Invicta.

Na linha de Cascais, boa parte do aumento do número de passageiros deve-se à pressão turística. Esta é uma linha que há várias décadas aguarda uma profunda renovação, que continua a circular com comboios muito antigos, mas que, devido às suas características - vai do centro de Lisboa, do Cais do Sodré, até Cascais, acompanhando a zona ribeirinha e toda a baía de Cascais - se torna também um transporte turístico.

Num horário normal, fora das chamadas "horas de ponta", o comboio de Cascais circula superlotado com turistas, o que é notório pelas várias línguas faladas pelos passageiros e pela quantidade de malas transportadas.

Neste momento há gente a viajar em pé — a todas as horas, não somente nas de ponta — nos comboios que servem as zonas mais procuradas pelos turistas nos arredores de Lisboa.

Saindo do Cais do Sodré em direção a Cascais, os comboios tendem a ir bastantes cheios até Belém. Os turistas que utilizam este transporte para se deslocarem até à zona ribeirinha, ao Mosteiro dos Jerónimos ou a um dos museus da área gastam muitas vezes mais tempo para comprar os bilhetes na bilheteira com funcionários do que na curta viagem de duas estações. A obrigatoriedade de comprar um cartão de carregamento, que é diferente do do autocarro ou Metro, não facilita a vida a quem vem de fora para conhecer Lisboa e quer comprar um bilhete no comboio... que obriga à compra de um novo cartão para esse fim.

O comboio também está a ser utilizado pelos turistas que se vão hospedar na zona do Estoril e Cascais, como o comprovam a abundância de malas com rodinhas e pescoços no ar para observar os mapas com o itinerário das estações que se encontram por cima das portas de cada carruagem.

Crescimento supera expectativas

Nos comboios do serviço Regional, foram transportados 3,4 milhões de passageiros correspondentes a um crescimento de 4,7%, em termos homólogos.

A CP reconhece que "este crescimento da procura tem superado as melhores expectativas da empresa e tem obrigado a CP e a EMEF - que é a empresa responsável pela manutenção dos comboios -, a operar no máximo da sua capacidade".

Este crescimento resulta, segundo a CP, da estratégia comercial desenvolvida pela empresa nos últimos quatro anos, em que adotou "uma nova dinâmica de soluções apresentadas ao mercado para dar resposta às mais diversas necessidades e solicitações de mobilidade da população portuguesa".

Como é que fez isto? Essencialmente através da maior integração dos seus serviços, "num conceito de rede CP, potenciando as ligações entre destinos e serviços ferroviários, não só ao nível da complementaridade das ligações de comboios, mas também da integração tarifária, que permitiu aumentar a competitividade do serviço e a facilidade de aquisição dos títulos de transporte", diz.

Os clientes da CP podem comprar o seu título de transporte "para qualquer serviço e para qualquer percurso em qualquer ponto de embarque, nas bilheteiras das estações ou através dos múltiplos canais de venda disponíveis, dos quais se destacam a aplicação para telemóvel, a bilheteira online, as agências de viagem e o Multibanco", refere a empresa.

A CP explica que registou uma evolução de 106,5 milhões de passageiros transportados em 2013 para cerca de 115 milhões em 2016, o que traduz um incremento de mais de oito milhões de viagens, "com reflexo na evolução dos rendimentos do tráfego, que registou um crescimento da ordem dos 26 milhões de euros (mais 13% neste período) ao passar de 203,9 milhões de euros em 2013 para 230,3 milhões de euros".

Face a este crescimento, a CP tem "procurado dar resposta aos seus clientes utilizando toda a capacidade do seu parque de material circulante e trabalhando no máximo da sua capacidade humana, quer na oferta regular, quer nos reforços - que são uma necessidade constante, nomeadamente na linha do Norte, em períodos de férias e fins de semana".

Comprar bilhetes com antecedência

Esta realidade implica que haja comboios esgotados? A CP confirma. "É uma realidade que vários comboio esgotam as vendas em várias horas, e nalguns casos dias antes da sua realização". Por isso, neste momento a CP "recomenda fortemente a programação e compra antecipada das viagens de comboio para garantir o lugar".

Descontos de 60%

Aliás, a compra antecipada traz também a possibilidade de vantagens ao nível do preço, com descontos que podem chegar até 60% do custos da viagem nos comboios de longo curso.

Atualmente, a CP considera urgente proceder à modernização da infraestrutura ferroviária e à compra de material circulante que permita responder ao aumento da oferta. Ou seja, melhores linhas e mais comboios.

Foi por isso que a CP "elaborou um plano de aquisição de material circulante que apresentou à tutela governamental e que permitirá melhorar substancialmente a qualidade do serviço prestado às populações, ao mesmo tempo que reforçará a sustentabilidade financeira da empresa, sendo possível que esta aquisição seja coberta pelos proveitos da CP nas próximas duas décadas", considera a empresa.