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Portugal lidera descidas dos juros da dívida na zona euro em maio

Os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos fecharam na sexta-feira em 3,15%, em mínimos de sete meses. Desceram mais de quatro décimas em relação ao final de abril. Rentabilidade das obrigações portuguesas é a segunda mais elevada da zona euro, depois da Grécia

Jorge Nascimento Rodrigues

Os juros da dívida portuguesa a 10 anos fecharam em 3,15% na sexta-feira no mercado secundário, em mínimos de sete meses. Depois de uma ligeira subida em meados da semana, os juros das Obrigações do Tesouro que vencem em 2027 (OT2027) acabaram por cair três pontos base em relação ao fecho da semana anterior. Desde o final de abril, registam uma queda de 41 pontos base (quatro décimas), de longe a mais elevada na zona euro.

Sentiram-se os efeitos positivos do anúncio na segunda-feira da recomendação da Comissão Europeia para a saída. em breve, de Portugal do procedimento de défice excessivo. Não se verificou ‘contágio grego’, por efeito do adiamento para junho da decisão do Eurogrupo relativa ao fecho do segundo exame do terceiro resgate a Atenas.

Portugal está a liderar em maio, a larga distância, as descidas dos juros no prazo de referência no mercado secundário da dívida na zona euro. O recuo foi de 41 pontos base desde final de abril para a linha de OT a 10 anos face a quedas de 32 pontos base para as obrigações helénicas, 18 pontos base para as obrigações italianas, de 10 pontos base para as espanholas e maltesas,e de sete pontos base para as irlandesas. Nos periféricos do euro, os juros das obrigações eslovenas subiram sete pontos base, sendo o único caso a registar trajetória ascendente. Os juros das obrigações alemãs e francesas mantiveram-se nos mesmos níveis de fecho de abril.

Sublinhe-se que os juros da OT2027 já se situam mais de 1 ponto percentual abaixo da taxa de colocação desse nova linha a 10 anos em janeiro passado, quando o Tesouro português teve de pagar quase 4,23% aos investidores na operação de sindicação que, então, realizou.

No entanto, ainda não desceram abaixo de 3%, retomando o nível em que estavam no verão do ano passado antes da onda de especulação nos mercados financeiros em torno do rumor - infundado - de que a agência de notação DBRS poderia mexer no rating da dívida portuguesa a 21 de outubro, revendo-o em baixa para nível especulativo ("lixo financeiro") ou alterando negativamente a perspetiva, fazendo um aviso ao governo de António Costa.

Prémio de risco abaixo de 3 pontos percentuais

A mesma liderança verifica-se no prémio de risco, ou seja, no diferencial que os investidores exigem para adquirir dívida pública de outros membros do euro face ao custo de financiamento dos títulos alemães. O prémio para a dívida portuguesa caiu de 326 pontos base no final de abril para 282 pontos base nesta sexta-feira. Desde 5 de maio que o prémio está abaixo de 300 pontos base, ou seja, de 3 pontos percentuais.

O recuo registado pelo prémio de risco foi de 44 pontos base, o que contrasta, nos periféricos do euro, com uma descida de 27 pontos base para o prémio grego, de 22 pontos base para o italiano, de 11 pontos base para o espanhol e maltês e de sete pontos base para o irlandês. Portugal tem, deste modo, encurtado, também, em maio o diferencial em relação a Espanha, Irlanda e Itália.

Viragem na rentabilidade

A rentabilidade, medida desde início do ano, do conjunto da divida obrigacionista portuguesa tem-se destacado no conjunto da zona euro, segundo dados da Bloomberg. É, atualmente, a segunda mais elevada, depois da grega.

Este retorno é medido pela Bloomberg pela evolução do índice de conjunto da dívida obrigacionista. O índice para as OT subiu de 153,31 no final de abril para 157,06 na sexta-feira passada.

O retorno subiu de 9,12% para 12,29% para as obrigações helénicas e de 3,53% para 6,06% para as OT. A rentabilidade média do conjunto da dívida da zona euro continua em terreno negativo, melhorando, no entanto, de -0,88% no final de abril para -0,27% na sexta-feira passada. O retorno negativo mais elevado na zona euro continua a ser registado para a dívida italiana.

A viragem, no caso português, em relação a 2016 é clara. Recorde-se que, no final do ano passado, o retorno anual para as OT era negativo, de -2,65%, enquanto que a rentabilidade anual média do conjunto da dívida da zona euro era positiva, de 3,11%. Alemanha, Espanha, Irlanda e Itália registavam, então, retornos positivos, enquanto, agora, apresentam rentabilidades negativas.